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Alunos que obrigaram jovem a comer sete pedaços de bolo em Fortaleza são transferidos de escola

A vítima das agressões tem 16 anos e, quando criança, foi diagnosticado com uma síndrome que faz com que ele tenha dificuldade no aprendizado e ganhe peso com facilidade.

Raflézia Sousa
Por: Raflézia Sousa Fonte: G1 Ceará
07/03/2026 às 09h46
Alunos que obrigaram jovem a comer sete pedaços de bolo em Fortaleza são transferidos de escola
Foto: Instagram/ Reprodução

Os alunos que obrigaram um colega, de 16 anos, a comer sete pedaços de bolo, em Fortaleza, foram transferidos de escola, confirmou a Secretaria da Educação do Ceará (Seduc) nesta sexta-feira (6). O jovem sofre de uma doença rara, que faz com que ele tenha dificuldade no aprendizado e ganhe peso com facilidade.

"As famílias dos estudantes envolvidos na agressão solicitaram transferências e foram atendidas", confirmou a Seduc, em nota. A Pasta também garantiu que "a vítima e a família foram atendidas em procedimento que envolve acolhimento, escuta e mediação, com suporte psicológico"

O adolescente forçado por um grupo de colegas a comer ao menos sete pedaços de bolo, dentro de uma escola em Fortaleza, convive com uma síndrome rara que causa fome insaciável, atraso no desenvolvimento e alterações hormonais: a Síndrome de Prader-Willi (SPW).

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O caso ocorreu em uma escola estadual no Bairro Dom Lustosa, na capital, no último dia 26 de fevereiro. O jovem de 16 anos também foi filmado enquanto usava o banheiro do colégio. A Secretaria da Educação repudiou o ato e disse que prestou apoio à família da vítima (relembre o caso abaixo).

Mas o que é a Síndrome de Prader-Willi (SPW)? A condição é a mesma que afeta uma criança de 2 anos no Acre. Melinda Paulo Lima Machado pesa 15 quilos, o que é considerado acima da média para a idade, e precisa de acompanhamento médico multidisciplinar. Abaixo, entenda o que é a síndrome rara.

Síndrome de Prader-Willi

A SPW é causada por uma alteração genética no cromossomo 15, geralmente por uma perda de material genético herdado do pai. Essa falha afeta o funcionamento de áreas do cérebro responsáveis por regular o apetite, o crescimento, o tônus muscular e o desenvolvimento físico e cognitivo.

De acordo com a Associação Brasileira da Síndrome de Prader-Willi, a condição afeta 1 a cada 15 mil nascimentos de forma aleatória e, raramente, recorre na mesma família.

Em termos gerais:

  • A SPW causa: alteração genética no cromossomo 15 (origem paterna);
  • Tem como sintomas principais: fraqueza muscular (hipotonia), atraso motor e cognitivo, fome insaciável, ganho de peso precoce;
  • O diagnóstico: ocorre por teste genético (metilação do DNA).

Ainda de acordo com a Associação Brasileira de Síndrome de Prader-Willi, outras características que demandam atenção são:

  • Atraso no desenvolvimento neuromotor
  • Dificuldade na articulação de palavras
  • Problemas de aprendizagem
  • Constante sensação de fome
  • Interesse compulsivo por comida (hiperfagia)
  • Obesidade
  • Baixa estatura
  • Mãos e pés pequenos
  • Pele mais clara que a dos pais
  • Boca pequena com lábio superior fino
  • Fronte estreita e olhos amendoados
  • Inatividade
  • Diminuição da sensibilidade à dor
  • Possível estrabismo

As intervenções precoces são de extrema importância para evitar obesidade e os problemas de saúde associados, tais como diabetes, hipertensão arterial e problemas respiratórios - as principais causas de morte dos indivíduos com a SPW.

A Associação que acompanha a doença afirma que o tratamento com hormônio do crescimento (GH) é a terapia mais eficaz: "Já foi atestado que, quanto mais cedo ela for iniciada, maior é o ganho na vida dos indivíduos com a SPW".

O adolescente obrigado a comer várias fatias de bolo em um episódio de bullying no CAIC Raimundo Gomes de Carvalho, em Fortaleza, foi diagnosticado com a síndrome quando era criança, informaram familiares ao g1.

Medidas tomadas

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que o Grupo de Segurança Escolar (GSE), vinculado ao Comando de Proteção e Apoio às Comunidades (Copac), da Polícia Militar, enviou uma de suas equipes até a escola logo que tomou conhecimento da situação de bullying.

As circunstâncias do caso serão investigadas pela Polícia Civil, que reforçou a importância de familiares da vítima comparecerem a uma unidade policial para repassarem mais informações sobre o ocorrido.

Já a Secretaria da Educação afirmou que a Superintendência das Escolas Estaduais de Fortaleza (Sefor), desde o primeiro momento do caso, adotou "as providências necessárias no sentido de sensibilizar todas as turmas sobre o bullying".

"Na manhã da sexta-feira (27), uma equipe da escola reuniu os estudantes para tratar sobre o ocorrido. A vítima e a família foram atendidas também, em procedimento que envolve acolhimento, escuta e mediação, com disponibilização do suporte psicológico", garantiu a Seduc.

Ainda segundo a Pasta, "os alunos envolvidos na agressão foram convocados com seus respectivos responsáveis para deixá-los cientes do que aconteceu e suas possíveis consequências escolares e legais, levando em consideração o regimento da escola".

A Secretaria reforçou que a comunidade docente fortalecerá ações envolvendo a temática do bullying durante todo o ano letivo e que a escola segue contando com o suporte psicológico da Sefor, reforçando o acompanhamento e o acolhimento aos estudantes e profissionais.