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Família aguarda processo na Justiça após enfermeira ser morta pelo namorado em Fortaleza

Depois da etapa atual do processo, a Justiça deve decidir se o acusado na investigação será levado a júri popular

Rita de Cássia
Por: Rita de Cássia Fonte: GC Mais
11/03/2026 às 10h51
Família aguarda processo na Justiça após enfermeira ser morta pelo namorado em Fortaleza
Foto: Reprodução

O caso da enfermeira Clarissa Gomes, morta pelo namorado há oito meses em Fortaleza, se soma a uma série de outros feminicídios registrados no estado do Ceará ao longo do último ano. Nos últimos cinco anos, o estado registrou um crescimento de 49,3% nesse tipo de crime, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. As estatísticas revelam ainda que mais da metade das vítimas foi assassinada pelos próprios companheiros.

Família de Clarissa busca lidar com a perda

No caso de Clarissa Gomes, a família agora aguarda agora o andamento do processo judicial e a definição sobre o julgamento do acusado. Ela tinha 31 anos e foi assassinada dentro de casa, no bairro Jardim Cearense, no dia 9 de julho. De acordo com a investigação, o crime foi cometido pelo ex-namorado, Matheus Antony, que não aceitava o fim do relacionamento. A vítima foi atingida com 34 facadas.

A advogada Nathalie Capistrano, prima da enfermeira, diz que a família tenta lidar com a perda enquanto aguarda uma resposta da Justiça. “Esses oito meses, o que não sai da minha cabeça é que ela sofreu tudo que ela sofreu sozinha, sentindo dor. Porque ela trabalhava numa profissão que ela salvava tantas vidas, ajudava a salvar tantas vidas e a gente não conseguiu salvar a vida dela. Ninguém conseguiu ajudar ela. Ela não soube pedir ajuda”, afirma.

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Enfermeira morta pelo namorado em Fortaleza: processo aguarda alegações finais da defesa

Segundo o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), o processo está atualmente na fase de alegações finais da defesa. Depois dessa etapa, a Justiça deve decidir se o acusado será levado a júri popular.

O advogado da família, Isaac Xavier, explica que as etapas de produção de provas já foram concluídas.

“Todas as provas já foram colhidas, já tivemos as audiências de instituição e todas foram concluídas. E nós estamos naquela fase das alegações finais, nas fases de diligência, para que a vara do júri possa designar a data para julgamento já pelo plenário do júri. É um feminicídio terrível. Nós estamos completando 10 anos da edição da Lei do Feminicídio e este caso específico da Clarissa é um brutal e covarde feminicídio praticado por alguém que não teve o menor valor, a menor empatia pela vida humana”, pontua o advogado.

A família afirma que espera que o responsável seja condenado pelo crime.

“A gente está esperando que tenha o julgamento e que ele seja condenado. Eu não vou falar em justiça, porque a vida da Clarissa se foi, a nossa família está totalmente desestruturada. E o que a gente espera é que ele realmente seja condenado e que ele cumpra, que a gente não quer uma sentença para botar num quadro, que ele cumpra. Ele foi um feminicida, ele esfaqueou ela 34 vezes, fora os machucados na cabeça, então a gente quer que ele seja condenado, é isso que a gente espera, que a justiça dos homens seja cumprida e que ele realmente cumpra a condenação”, diz Nathalie Capistrano.

Lei do Feminicídio e aumento nos casos

Neste mês, foram completados 11 anos da criação da lei que tipifica o feminicídio no Brasil – alteração no Código Penal que passou a classificar como feminicídio o assassinato de mulheres por razões de gênero, incluindo casos de violência doméstica, menosprezo ou discriminação.

Apesar da legislação, os números continuam altos. Entre 2021 e 2024, 59,4% dos feminicídios no Brasil foram cometidos por companheiros das vítimas e 21,3% por ex-companheiros. Outros 10,2% dos casos envolvem familiares. Isso significa que, a cada dez feminicídios, oito são praticados por homens que mantinham ou já tiveram vínculo afetivo com as vítimas.

A nota técnica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública também aponta que 66% desses assassinatos acontecem dentro da residência da vítima, o que reforça o contexto de violência doméstica em grande parte dos casos.