
O programa Pé-de-Meia, criado pelo governo federal para incentivar estudantes a permanecerem na escola, tem impacto direto na redução da evasão no ensino médio. Segundo estudo divulgado nesta sexta-feira (13), cerca de um em cada quatro jovens que abandonariam os estudos decide continuar na escola graças ao benefício. A pesquisa foi realizada pelo Centro de Evidências da Educação Integral, iniciativa formada por pesquisadores do Insper, do Instituto Sonho Grande e do Instituto Natura.
O levantamento analisa os efeitos do programa lançado em 2024 pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o estudo, o incentivo financeiro ajuda a reduzir o abandono escolar, sobretudo entre estudantes de famílias em situação de maior vulnerabilidade social.
Os resultados serão publicados no livro “Bolsas de estudo e evasão: avaliação de impacto ex-ante”, que será lançado nesta sexta-feira (13). A obra tem autoria de Ricardo Paes de Barros — um dos formuladores do programa Bolsa Família —, Laura Muller Machado, Samuel Franco e Laura de Abreu.
Os pesquisadores estimam que, sem o programa, a taxa de evasão entre estudantes de baixa renda seria de 26,4% ao longo do ensino médio. Com a implementação do Pé-de-Meia, esse índice cai para 19,9%, uma redução de 6,5 pontos percentuais na média nacional.
O impacto, no entanto, varia entre as regiões do país. No Ceará, por exemplo, a presença da bolsa reduz a evasão em 10 pontos percentuais, o maior resultado entre os estados brasileiros.
Já no Paraná, o efeito é menor, com redução de 4,4 pontos percentuais na taxa de abandono escolar.
O Pé-de-Meia oferece pagamentos mensais a estudantes de baixa renda matriculados no ensino médio. Além disso, o programa prevê depósitos em uma poupança ao final de cada ano concluído e um valor adicional para quem participa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Segundo os pesquisadores, o custo anual da política pública é estimado em R$ 12 bilhões.
Como o programa ainda é recente, os especialistas utilizaram um método de avaliação que projeta possíveis impactos da política antes da consolidação de resultados completos, considerando dados sobre comportamento de estudantes diante de incentivos financeiros.
Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores avaliam que o Pé-de-Meia não é suficiente, sozinho, para resolver o problema da evasão escolar.
“Esse tipo de programa não é uma bala de prata. A evidência internacional já mostrou, isso não é uma panaceia. Ele vai resolver a depender do desenho e do contexto, de implementação e dos beneficiários”, afirma a pesquisadora Laura Muller Machado, uma das autoras do estudo.
Segundo ela, fatores como condições familiares, necessidade de trabalhar e perspectivas de inserção no mercado também influenciam a decisão dos jovens.
O estudo aponta ainda que ajustes no formato do pagamento podem aumentar o impacto do programa. Uma das sugestões é concentrar uma parcela maior do benefício no terceiro ano do ensino médio, etapa em que a evasão costuma ser mais frequente.