
Um idoso de 80 anos foi preso em São Paulo mais de 30 anos após a morte do empresário Ronaldo Castro Barbosa, então presidente e dono da construtora Colmeia, em Fortaleza. A captura de Valdenor Guimarães Pinheiro ocorreu em ação conjunta das polícias civis de São Paulo e do Ceará e cumpre mandado de prisão definitivo, com pena de 14 anos de reclusão em regime fechado pelo homicídio qualificado do empresário.
De acordo com o processo, o crime ocorreu em 6 de junho de 1995, na Rua Costa Barros, no bairro Aldeota, área nobre da capital cearense. Naquele fim de noite, Ronaldo deixava a sede da empresa e se preparava para entrar em seu carro, estacionado nas proximidades, quando foi abordado por um homem armado que efetuou dois disparos à queima-roupa e fugiu em uma motocicleta pilotada por um comparsa, deixando o empresário gravemente ferido.
Ronaldo chegou a ser socorrido e levado ao Instituto Doutor José Frota (IJF), onde recebeu atendimento de urgência, mas não resistiu aos ferimentos e morreu cerca de duas horas depois. O caso, que ficaria conhecido como “Caso Colmeia”, teve grande repercussão na época, tanto pela projeção do empresário no mercado imobiliário quanto pela forma planejada da execução, que levantou desde o início a suspeita de crime de mando.
Ao longo dos anos, as investigações apontaram a participação de vários envolvidos no homicídio, com diferentes papéis na cadeia do crime. Segundo decisões judiciais, o engenheiro Egberto Carneiro da Cunha Neto, sócio da vítima, foi condenado a 14 anos de prisão como coautor intelectual, acusado de mandar matar o executivo por desavenças na gestão da empresa. Outros acusados, como Francisco Matias Lima Nogueira, foram sentenciados por participação na contratação e apoio aos executores, enquanto pistoleiros identificados como responsáveis diretos pelos disparos também receberam penas que variam entre 13 e 16 anos.
Valdenor Guimarães Pinheiro aparece nos autos como uma espécie de “gerenciador de pistoleiros” na região jaguaribana, no interior do Ceará, atuando como intermediário entre o mandante e o grupo encarregado de executar Ronaldo Castro Barbosa. De acordo com os registros do Tribunal de Justiça do Ceará, sua condenação transitou em julgado, mas ele permaneceu foragido por décadas, o que exigiu articulação entre diferentes estados para localizá-lo e efetivar a prisão. Agora, após ser apresentado à Justiça paulista, a Polícia Civil do Ceará realiza tratativas para transferi-lo para uma unidade prisional cearense, onde deverá cumprir o restante da pena.
O assassinato de Ronaldo atingiu em cheio uma das empresas mais tradicionais do setor imobiliário de Fortaleza. Fundada em 1980, a construtora Colmeia se consolidou como referência em empreendimentos de alto padrão, com atuação marcante na transformação do cenário urbano da capital cearense. A empresa soma mais de 140 projetos entregues, ultrapassando 2,3 milhões de metros quadrados construídos em residenciais, corporativos, industriais e empreendimentos de uso misto, além de ter expandido sua atuação para mercados como Manaus, Natal e Campinas.
Ronaldo Castro Barbosa, que presidia a Colmeia à época do crime, era um dos nomes mais influentes do mercado imobiliário cearense, associado à imagem de solidez e inovação da empresa. Sua morte provocou uma mudança brusca na rotina corporativa e na condução dos negócios, exigindo reestruturação interna e a ascensão de familiares e executivos à linha de frente da construtora para manter o ritmo de expansão e preservar a marca construída ao longo de décadas.