
Um retrato preocupante da desigualdade: no Ceará, as mulheres estudam mais, mas continuam ganhando menos que os homens.
Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE, mostram que a população feminina tem maior nível de escolaridade no Estado — inclusive no ensino superior —, mas isso não se reflete no salário. Em média, as mulheres recebem cerca de 10% a menos.
Enquanto elas ganham aproximadamente R$ 1.857, os homens têm rendimento médio superior a R$ 2 mil, mesmo apresentando, em muitos casos, menor nível de instrução.
Os números revelam que a maioria das mulheres adultas tem pelo menos o ensino médio ou está cursando níveis mais altos de educação. Já entre os homens, predomina a baixa escolaridade, com maior concentração até o ensino fundamental.
A presença feminina também é maior entre quem conclui o ensino superior: a cada 10 formados no Ceará, pelo menos seis são mulheres.
Mesmo assim, a desigualdade persiste. Especialistas explicam que estudar mais não garante, necessariamente, salários maiores. Fatores como área de atuação, ocupação de cargos de liderança e até desigualdades estruturais influenciam diretamente nos rendimentos.
Outro ponto que chama atenção é a diferença entre setores. No serviço público, por exemplo, mulheres chegam a ganhar mais de 20% a menos que homens — cenário associado à menor presença feminina em cargos mais altos.
Além disso, os dados também destacam o papel das mulheres como principais responsáveis por famílias monoparentais, o que reforça os desafios enfrentados no mercado de trabalho.
O levantamento evidencia que, apesar dos avanços na educação, a igualdade salarial ainda está longe de ser realidade.