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Metade das mulheres no Ceará tem medo de ser estuprada ao usar transportes por aplicativo, aponta pesquisa

Levantamento ‘Mulher Coragem’, realizado pela Ipsos-Ipec, traz resultados sobre medos vivenciados pelas mulheres. No total, 95% delas têm medo de sofrer algum tipo de violência.

Raflézia Sousa
Por: Raflézia Sousa Fonte: G1 Ceará
08/04/2026 às 14h59
Metade das mulheres no Ceará tem medo de ser estuprada ao usar transportes por aplicativo, aponta pesquisa
Foto: JL Rosa

Metade das mulheres no Ceará sente medo de ser estuprada ao se deslocar utilizando transportes por aplicativo, superando a preocupação com assaltos e roubos. Os dados são da pesquisa ‘Mulher Coragem, os medos e demandas das mulheres cearenses por segurança”. O levantamento foi realizado pela Ipsos-Ipec, em parceria com o Diário do Nordeste e o Instituto Patrícia Galvão.

Quando perguntadas sobre medos ao utilizar este tipo de transporte, as mulheres responderam com mais frequência o receio de serem estupradas. Em segundo lugar, aparecem empatados o temor de sofrer assédio sexual ou importunação e o medo de sofrer agressões físicas.

A pesquisa entrevistou 2.032 mulheres, com idades a partir dos 16 anos, em 77 cidades do Ceará entre os dias 1º e 14 de outubro de 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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O estudo também revelou que 95% das mulheres entrevistadas relataram ter medo de sofrer algum tipo de violência, incluindo a violência física, psicológica, doméstica e outros tipos. E que o medo mais frequente, entre as cearenses, é o da violência sexual.

Sensação de insegurança nos deslocamentos

A pesquisa buscou saber quais são os principais medos das mulheres em diversas situações e ambientes. Ao abordar os deslocamentos pelas cidades, as perguntas incluíram as preocupações que elas costumam ter ao usar transportes por aplicativos e o transporte público.

O levantamento perguntou sobre os principais tipos de violência ao utilizar transporte por aplicativos, como Uber, 99 e táxi.

Nas respostas, 50% das entrevistadas afirmaram que têm medo de sofrer estupro nestas situações. O medo do estupro foi o principal tanto entre usuárias como não-usuárias destes serviços: mais da metade das entrevistadas responderam que usam este tipo de transporte (53%).

Medos de violência das mulheres ao utilizar transporte por aplicativos:

  • 50% - Ser estuprada
  • 37% - Assédio sexual ou Importunação
  • 37% - Ser agredida fisicamente
  • 36% - Que o motorista mude de caminho ou de rota sem aviso prévio
  • 35% - Ser assaltada, roubada ou furtada
  • 29% - Ser sequestrada
  • 25% - Assédio moral
  • 10% - Ser julgada pela aparência ou pela forma de se vestir
  • 8% - Sofrer bullying
  • 1% - Nenhuma dessas
  • 1% - Não tem medo de sofrer violência no transporte por aplicativo
  • 3% - Não sabem ou não responderam

O medo de estupro em transportes por aplicativo é maior entre as mulheres mais jovens. Os percentuais foram maiores para entrevistadas entre 16 e 24 anos (64%) e entre 25 e 34 anos (63%). Para mulheres acima dos 60 anos, por exemplo, este percentual é de 30%.

Uso de transporte público

Os resultados entram em contraste com os principais medos relacionados ao uso do transporte público. Nesta situação, o principal temor é de ser assaltada, roubada ou furtada.

Medos de violência das mulheres ao utilizar o transporte público:

  • 59% - Ser assaltada, roubada ou furtada
  • 46% - Assédio sexual ou importunação
  • 46% - Ser estuprada
  • 33% - Ser agredida fisicamente
  • 29% - Ser sequestrada
  • 28% - Assédio moral
  • 14% - Ser julgada pela aparência ou pela forma de se vestir
  • 10% - Sofrer bullying
  • 0% - Nenhuma dessas
  • 2% - Não têm medo de sofrer violência no transporte público
  • 2% - Não sabem ou não responderam

Embora o medo mais frequente nos transportes públicos tenha sido o de ser assaltada, roubada ou furtada no resultado geral, as mulheres mais jovens tiveram percentuais mais altos para as respostas que envolvem algum tipo de violência sexual.

O medo de assédio sexual ou importunação foi maior entre mulheres de 16 a 24 anos (59%) e de 25 a 34 anos (58%). O medo de ser estuprada apareceu em segundo lugar para estas mesmas faixas etárias, com 56% e 54%, respectivamente.

Mais da metade já sofreu violência

O estudo também perguntou às mulheres se elas já sofreram algum tipo de violência. A resposta foi “sim” para 51% das entrevistadas. Dentre os tipos de violência vivenciados, o mais frequente foi a violência psicológica.

Tipos de violência já vivenciadas pelas mulheres cearenses:

  • 28% - Violência psicológica
  • 16% - Violência física
  • 15% - Violência sexual
  • 11% - Violência doméstica
  • 9% - Violência virtual
  • 6% - Violência patrimonial
  • 8% Violência institucional
  • 3% - Violência policial
  • 48% - Não sofreram nenhum desses tipos de violência

A violência psicológica foi mais prevalente em todas as faixas etárias, sendo maior entre mulheres de 16 a 24 anos (37%) e menor entre mulheres acima dos 60 anos (16%).

Confira outros destaques do levantamento:

  • 40% das mulheres afirmaram que mudam hábitos em suas rotinas por medo ou insegurança por serem mulheres. Na maioria dos casos (68%), elas evitam sair sozinhas de casa, principalmente à noite.
  • Quando perguntadas sobre ambientes em que se sentem mais seguras como mulheres, a maioria das entrevistadas respondeu que isso acontece em suas próprias casas (83%) e na casa de amigos e parentes (66%).
  • Por outro lado, os espaços públicos são percebidos como locais mais inseguros: apenas 10% se sentem seguras no transporte público ou enquanto aguardam em pontos de ônibus e terminais. E 13% se sentem seguras em ruas, praças e parques.
  • Dentre os canais de denúncia e apoio às mulheres, os mais conhecidos são o contato da Polícia Militar (71%), a Delegacia da Mulher (57%) e o Disque 180 (56%).
  • Para diminuir o medo e a insegurança, a maioria acredita que é necessário aumentar o policiamento nas ruas (56%), aumentar a segurança dentro dos transportes coletivos (36%) e capacitar agentes de polícia para atender casos de violência e assédio contra a mulher (29%).