
Metade das mulheres no Ceará sente medo de ser estuprada ao se deslocar utilizando transportes por aplicativo, superando a preocupação com assaltos e roubos. Os dados são da pesquisa ‘Mulher Coragem, os medos e demandas das mulheres cearenses por segurança”. O levantamento foi realizado pela Ipsos-Ipec, em parceria com o Diário do Nordeste e o Instituto Patrícia Galvão.
Quando perguntadas sobre medos ao utilizar este tipo de transporte, as mulheres responderam com mais frequência o receio de serem estupradas. Em segundo lugar, aparecem empatados o temor de sofrer assédio sexual ou importunação e o medo de sofrer agressões físicas.
O estudo também revelou que 95% das mulheres entrevistadas relataram ter medo de sofrer algum tipo de violência, incluindo a violência física, psicológica, doméstica e outros tipos. E que o medo mais frequente, entre as cearenses, é o da violência sexual.
A pesquisa buscou saber quais são os principais medos das mulheres em diversas situações e ambientes. Ao abordar os deslocamentos pelas cidades, as perguntas incluíram as preocupações que elas costumam ter ao usar transportes por aplicativos e o transporte público.
O levantamento perguntou sobre os principais tipos de violência ao utilizar transporte por aplicativos, como Uber, 99 e táxi.
Nas respostas, 50% das entrevistadas afirmaram que têm medo de sofrer estupro nestas situações. O medo do estupro foi o principal tanto entre usuárias como não-usuárias destes serviços: mais da metade das entrevistadas responderam que usam este tipo de transporte (53%).
Medos de violência das mulheres ao utilizar transporte por aplicativos:
O medo de estupro em transportes por aplicativo é maior entre as mulheres mais jovens. Os percentuais foram maiores para entrevistadas entre 16 e 24 anos (64%) e entre 25 e 34 anos (63%). Para mulheres acima dos 60 anos, por exemplo, este percentual é de 30%.
Os resultados entram em contraste com os principais medos relacionados ao uso do transporte público. Nesta situação, o principal temor é de ser assaltada, roubada ou furtada.
Medos de violência das mulheres ao utilizar o transporte público:
Embora o medo mais frequente nos transportes públicos tenha sido o de ser assaltada, roubada ou furtada no resultado geral, as mulheres mais jovens tiveram percentuais mais altos para as respostas que envolvem algum tipo de violência sexual.
O medo de assédio sexual ou importunação foi maior entre mulheres de 16 a 24 anos (59%) e de 25 a 34 anos (58%). O medo de ser estuprada apareceu em segundo lugar para estas mesmas faixas etárias, com 56% e 54%, respectivamente.
O estudo também perguntou às mulheres se elas já sofreram algum tipo de violência. A resposta foi “sim” para 51% das entrevistadas. Dentre os tipos de violência vivenciados, o mais frequente foi a violência psicológica.
Tipos de violência já vivenciadas pelas mulheres cearenses:
A violência psicológica foi mais prevalente em todas as faixas etárias, sendo maior entre mulheres de 16 a 24 anos (37%) e menor entre mulheres acima dos 60 anos (16%).
Confira outros destaques do levantamento: