
O casamento costuma ser um dos momentos mais marcantes na vida de um casal. No caso de Rebeca Sampaio, de 29 anos, a cerimônia ganhou um significado ainda mais especial e raro: foi celebrada pelo próprio pai, o diácono Raimundo Tarcísio Cabral. A união aconteceu no último sábado (3), na cidade de Milagres, no interior do Ceará, e reuniu familiares e amigos em um momento de forte emoção.
Antes do início da celebração religiosa, Raimundo desempenhou um papel tradicional, ou seja, entrou na igreja de braço dado com a filha caçula, conduzindo-a até o altar. Como qualquer pai, viveu ali o instante de entrega, ao apresentar Rebeca ao noivo. Em seguida, deixou temporariamente o espaço e retornou minutos depois com a batina, pronto para assumir uma segunda missão na mesma cerimônia.
Marceneiro de profissão e diácono ordenado pela Igreja Católica há quase três anos, Raimundo protagonizou uma cena incomum. Após entregar a filha, ele voltou como celebrante do casamento, conduzindo todo o rito religioso, incluindo a troca de alianças. Ao final, retirou novamente a veste litúrgica e retomou o lugar de pai, encerrando um ciclo simbólico que marcou profundamente a família.
“É sempre um momento de muita emoção, a gente até achar que não tem merecimento, que jamais sonharia viver algo assim. É uma graça muito grande. Um momento de louvar e agradecer a Deus”, afirmou Raimundo, emocionado ao relembrar a experiência única.
A Igreja Católica permite que diáconos celebrem casamentos. Eles fazem parte do primeiro grau do sacramento da Ordem, abaixo de padres e bispos, e exercem funções religiosas e administrativas nas dioceses. Entre suas atribuições estão a realização de batismos, casamentos e outras celebrações, o que tornou possível que Raimundo conduzisse a união da própria filha.