
Os consumidores de energia elétrica no Ceará podem se preparar para um novo reajuste na conta de luz em 2026. Uma nota técnica da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prevê aumento médio de 5,78% nas tarifas, com impacto diferente entre os perfis de consumo. Para clientes de alta tensão, como indústrias e grandes estabelecimentos, a alta estimada é de 9,61%. Já para os consumidores de baixa tensão, incluindo residências, o reajuste deve chegar a 4,67%.
A proposta será analisada em reunião da Aneel marcada para o dia 14 de abril, com previsão de entrada em vigor no dia 22 do mesmo mês, conforme o contrato de concessão da Enel Distribuição Ceará, vigente desde 1998. Caso confirmado, este será o primeiro aumento médio nas tarifas desde 2023, quando houve alta de 3,06%. Nos anos seguintes, os consumidores tiveram reduções de 2,81%
De acordo com a Aneel, o reajuste é calculado com base em dados operacionais enviados pela distribuidora e passa por avaliação técnica e decisão colegiada da agência reguladora. Entre os principais fatores que explicam o aumento está a atualização dos custos das chamadas Parcelas A e B, que compõem a estrutura tarifária.
A Parcela A representa os custos não gerenciáveis da distribuidora, como compra e transmissão de energia, além de encargos setoriais. Esses itens correspondem a cerca de 61,7% da receita anual da concessionária. Entre os encargos, destaca-se a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que financia políticas públicas e subsídios no setor elétrico.
Já a Parcela B engloba os custos operacionais sob controle da distribuidora, como manutenção da rede e serviços de atendimento ao cliente. Segundo a análise técnica, a Parcela A deve gerar impacto positivo de 5,71% no reajuste, enquanto a Parcela B tende a reduzir a tarifa em 1,24%. Outros componentes financeiros externos contribuem com 1,31% para o cálculo final.
Mesmo com a alta prevista, o percentual ficou abaixo de estimativas anteriores do mercado, que projetavam aumento mais elevado para a região Nordeste. Esses cálculos consideravam, principalmente, o avanço nos custos de compra de energia e o crescimento das despesas com encargos setoriais.
Outro fator para o cenário atual foi o diferimento tarifário aplicado em 2025. Na ocasião, a Enel solicitou o adiamento de parte dos custos para evitar um aumento em 2026. Sem essa medida, simulações indicavam que a alta poderia chegar a até 14%. Com o mecanismo, parte dos valores foi diluída ao longo do tempo.
Em nota, a Enel destacou que a definição final das tarifas cabe exclusivamente à Aneel. “A distribuidora destaca que, nos últimos dois anos, os reajustes tarifários no Ceará foram negativos, apresentando redução na tarifa: em 2025, uma queda de 2,10%, e, em 2024, de -2,81%. A companhia encaminha ao regulador as informações solicitadas, cabendo à agência o cálculo e a definição das tarifas”, informou.