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Sedentarismo é maior entre alunos de escolas privadas no Ceará

O levantamento, que analisa hábitos de jovens de 13 a 17 anos em todo o país, mostra que a diferença acompanha uma tendência nacional

Rita de Cássia
Por: Rita de Cássia Fonte: Ceará Agora
21/04/2026 às 09h16
Sedentarismo é maior entre alunos de escolas privadas no Ceará
Foto: Reprodução

O comportamento sedentário entre adolescentes tem avançado no Ceará e aparece com mais intensidade entre estudantes da rede privada. Dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) indicam que 57,7% dos alunos dessas instituições passam mais de três horas por dia sentados — excluindo o tempo em sala de aula e deslocamentos. Na rede pública, o índice é significativamente menor: 38,8%.

O levantamento, que analisa hábitos de jovens de 13 a 17 anos em todo o país, mostra que a diferença acompanha uma tendência nacional. No Brasil, o sedentarismo atinge 58,5% dos estudantes de escolas particulares, contra 41,9% dos alunos da rede pública.

Em Fortaleza, o cenário segue o mesmo padrão: 57,4% dos estudantes da rede privada relataram longos períodos de inatividade, frente a 48,3% na rede pública. Em todas as capitais brasileiras, os índices entre alunos de escolas particulares ultrapassam 50%.

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Entre os fatores associados ao problema estão o maior acesso a dispositivos eletrônicos e o tempo prolongado diante de telas. No Ceará, 35,6% dos adolescentes passam mais de duas horas diárias consumindo conteúdos em televisão, celulares ou outras plataformas digitais — percentual que chega a 41,1% na rede privada.

Além disso, a pesquisa aponta lacunas no acesso à prática de atividades físicas. Cerca de 31,3% dos estudantes cearenses afirmaram não ter tido nenhuma aula de educação física na semana anterior à pesquisa. O índice é maior nas escolas privadas, onde chega a 39,5%, enquanto na rede pública é de 30,2%.

Especialistas alertam que o sedentarismo na adolescência representa um risco relevante à saúde pública, com impactos que vão desde problemas metabólicos e cardiovasculares até questões relacionadas à saúde mental, como ansiedade e depressão. O aumento de casos de sobrepeso entre jovens também acende o alerta, com registros cada vez mais precoces de doenças como diabetes tipo 2 e hipertensão.

Outro ponto de preocupação é o início cada vez mais cedo desses hábitos. Entre adolescentes mais jovens, de 13 a 15 anos, o tempo de exposição às telas é ainda maior, indicando uma tendência de agravamento ao longo dos anos.

Apesar de a educação física ser obrigatória na educação básica, desafios estruturais e de organização curricular ainda limitam a prática regular de atividades físicas nas escolas. A ampliação do ensino em tempo integral, por exemplo, exige adaptação para garantir que os estudantes não permaneçam restritos a atividades predominantemente teóricas.

Para especialistas, o enfrentamento do sedentarismo passa também pelo ambiente familiar, com incentivo à prática de exercícios e à adoção de hábitos mais saudáveis no dia a dia.