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Homem é preso após ser flagrado impedindo técnicos de internet de trabalhar no Ceará

O Ceará já registrou 186 prisões relacionadas a deslocamentos forçados de moradores e extorsão a provedores de internet

Raflézia Sousa
Por: Raflézia Sousa Fonte: Portal GCMAIS
24/04/2026 às 15h38
Homem é preso após ser flagrado impedindo técnicos de internet de trabalhar no Ceará
Foto: Reprodução

Um homem foi preso após ser apontado como responsável por impedir técnicos de internet de trabalhar em uma área do Ceará. O caso ganhou repercussão depois da circulação de um vídeo nas redes sociais que mostrava profissionais sendo constrangidos e obrigados a interromper o serviço durante atendimento em uma comunidade.

A prisão foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), que informou que o suspeito foi capturado no Aeroporto de Fortaleza durante operação policial. Segundo as investigações, ele seria proprietário de uma empresa do setor e tentava controlar a oferta de internet em determinado território.

As imagens que circularam nas redes sociais mostravam técnicos chegando ao local para instalar ou realizar manutenção em serviços de internet, quando foram impedidos de continuar o trabalho. O episódio gerou repercussão e levantou questionamentos sobre a atuação de grupos criminosos e empresas ligadas ao setor.

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Segundo Harley Filho, delegado coordenador da Coordenadoria de Planejamento Operacional (Copol) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), após a divulgação do vídeo, a Polícia Civil iniciou diligências para identificar os envolvidos e rastrear a estrutura usada para impedir a livre concorrência no fornecimento do serviço. De acordo com a SSPDS, o homem preso foi localizado no Aeroporto de Fortaleza e autuado com base na nova legislação federal de combate às organizações criminosas.

O objetivo do grupo seria restringir a atuação de outras empresas para manter exclusividade em determinadas regiões. A prática, segundo as autoridades, consistia em intimidar trabalhadores, impedir instalações e obrigar moradores a contratar apenas um provedor específico.

“Nós tivemos mais de um caso, mas na grande maioria dos casos ele repassa um valor do lucro oferido para a organização criminosa, e aí o que a organização criminosa vai fazer realmente fica a critério deles. As investigações são mais nesse sentido, mas hoje, mais uma vez, com o pacote antifacção, nós temos aí uma diversidade de ações e missões, principalmente cautelares. Você consegue interromper um serviço de forma mais célebre.” Harley Filho, delegado coordenador do Copol.

A Secretaria da Segurança Pública informou que organizações criminosas têm buscado lucro também por meio da exploração de serviços essenciais, além de atividades como tráfico de drogas e extorsão. Nesse modelo, áreas dominadas passam a ter controle irregular sobre internet, distribuição de gás, transporte e outros serviços.

Estado soma 186 capturas ligadas ao caso

Segundo balanço divulgado pela SSPDS, o Ceará já registrou 186 prisões relacionadas a deslocamentos forçados de moradores e extorsão a provedores de internet. Entre essas capturas estão suspeitos de ameaçar famílias, expulsar moradores de imóveis e impedir empresas legalizadas de prestar serviço em comunidades.

As autoridades informaram que parte das prisões ocorreu em Fortaleza e na Região Metropolitana, com apoio integrado entre Polícia Civil, Polícia Militar e setores de inteligência.

O suspeito preso no aeroporto poderá responder por crimes ligados à participação em organização criminosa, extorsão e interferência em serviço essencial, conforme o andamento da investigação.

A SSPDS destacou que a legislação atual prevê penas mais rigorosas para casos ligados a facções criminosas, especialmente quando há comando territorial ou obtenção de lucro por meio de intimidação.

Polícia reforça presença em áreas afetadas após casos de ameaças a provedores de internet no Ceará

Além das prisões, o Estado informou que mantém policiamento reforçado em locais afetados por expulsão de moradores e controle ilegal de serviços. O objetivo é garantir o retorno das famílias e impedir novas ações criminosas.

Segundo a SSPDS, equipes fazem visitas periódicas em áreas onde houve denúncias para evitar reocupação de imóveis ou retomada de ameaças.