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Matemática é desafio desde a primeira infância no Ceará, aponta pesquisa

Estudo revela que crianças brasileiras superam a média internacional em linguagem, mas apresentam déficit crítico em matemática antes dos 6 anos

Rita de Cássia
Por: Rita de Cássia Fonte: O POVO
06/05/2026 às 10h16
Matemática é desafio desde a primeira infância no Ceará, aponta pesquisa
Foto: Fernanda Barros

O desenvolvimento de habilidades matemáticas se apresenta como um desafio para crianças brasileiras ainda na primeira infância, ou seja, antes mesmo dos 6 anos de idade. É o que mostram dados do Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-estar na Primeira Infância (IELS), conduzido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado nesta terça-feira, 5.

A pesquisa, realizada entre maio e julho de 2025, contou com a participação de 2.598 crianças distribuídas em 210 escolas localizadas em três estados brasileiros: Ceará, Pará e São Paulo.

Das escolas participantes, 80% eram públicas e 20% privadas. A idade média das crianças participantes foi de 5,5 anos.

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A média internacional adotada como referência no estudo para critérios como numeracia emergente – capacidade de compreender e aplicar ideias de medidas, formas e orientações espaço-temporais – é de 500 pontos. Os três estados brasileiros analisados, contudo, apresentaram uma média em numeracia de 456.

Por outro lado, a análise mostrou que no critério de literacia emergente — que corresponde ao desenvolvimento da linguagem oral e escrita — os estados apresentaram uma uma pontuação média de 502 pontos, situando-se ligeiramente acima da média internacional.

O estudo foi viabilizado no Brasil por uma coalizão liderada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal. Ele foi coordenado pelos pesquisadores Mariane Koslinski e Tiago Bartholo, do Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LaPOpE/UFRJ).

“Notamos um padrão que é exclusivo [nos estados analisados] do Brasil: enquanto na maioria dos países as médias de literacia e numeracia são muito próximas, no Brasil elas divergem significativamente”, aponta Mariane Koslinski.

Outro recorte diz respeito ao perfil socioeconômico das famílias. A pesquisa mostra que, enquanto 80% das crianças de nível socioeconômico alto dos estados analisados dominam o reconhecimento de numerais, esse índice cai para 68% entre as de nível socioeconômico baixo.

Literacia emergente por nível socioeconômico

  • Baixo:487
  • Médio-baixo: 496
  • Médio-alto: 513
  • Alto: 521
  • Média geral: 502

Numeracia emergente por nível socioeconômico

  • Baixo: 429
  • Médio-baixo: 453
  • Médio-alto: 472
  • Alto: 484
  • Média geral: 456