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Jovem que teve mãos reimplantadas após tentativa de feminicídio no Ceará já consegue mexer os dedos

Após cirurgia de 12 horas para reimplante das mãos, vítima de tentativa de feminicídio em Quixeramobim apresenta sinais positivos de recuperação na UTI

Raflézia Sousa
Por: Raflézia Sousa Fonte: Portal GCMAIS
06/05/2026 às 16h23
Jovem que teve mãos reimplantadas após tentativa de feminicídio no Ceará já consegue mexer os dedos
Foto: Reprodução

“Ela conseguiu mexer os dedos das duas mãos. Isso, para mim, foi um avanço muito grande da medicina. Para a gente, tudo isso que está acontecendo é um milagre muito grande.” O relato é de José Ayrton, padrasto de Ana Clara Antero Oliveira, jovem vítima de uma tentativa de feminicídio registrada no município de Quixeramobim, no interior do Ceará.

A declaração foi feita à reportagem da TV Cidade após a adolescente passar por uma cirurgia de alta complexidade para reimplante das mãos, que haviam sido decepadas durante o ataque. O procedimento durou cerca de 12 horas e contou com a atuação de 15 profissionais de saúde.

Internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Ana Clara apresenta evolução considerada positiva pelos familiares. Segundo José Ayrton, ele acompanhou a jovem durante uma tarde inteira e percebeu avanços importantes no quadro clínico.

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“Ana Clara teve uma situação muito difícil que a gente achava que ela não ia nem superar. Ontem eu estive com ela na UTI, passei a tarde conversando com ela, e ela está lúcida de tudo que aconteceu”, afirmou.

Ele também destacou que a jovem já demonstra consciência sobre o ocorrido e mantém diálogo com os familiares. “Ela me falou: ‘Zé, se não fosse esses dois braços aqui, eu ia para casa’”, relatou.

Apesar dos sinais de melhora, não há previsão de alta hospitalar. A paciente permanece na UTI por precaução, principalmente para controle de possíveis infecções. A recuperação completa dependerá também do desempenho nas etapas posteriores de fisioterapia.

Tentativa de feminicídio no Ceará: investigação e prisão dos suspeitos

O caso aconteceu na madrugada do dia 1º de maio, quando Ana Clara foi atacada dentro da própria residência. Os principais suspeitos são o namorado da vítima, Ronivaldo Rocha dos Santos, e o irmão dele, evangelista Rocha dos Santos.

De acordo com as investigações iniciais, os dois homens invadiram a casa da jovem e a agrediram com uma foice. Durante o ataque, Ana Clara teve as duas mãos decepadas ao tentar se defender, além de sofrer cortes profundos em diversas partes do corpo, como ombro, perna e cotovelo.

A polícia foi acionada após vizinhos ouvirem gritos de socorro. Ao chegarem ao local, os agentes encontraram a vítima gravemente ferida. Ainda consciente, ela conseguiu identificar os agressores.

Os suspeitos foram localizados e presos em flagrante no mesmo dia. Eles foram conduzidos à delegacia de Quixeramobim, autuados por tentativa de feminicídio e permanecem à disposição da Justiça.

Segundo o padrasto da vítima, havia sinais anteriores de comportamento agressivo por parte do namorado. “Ele já tinha problema com ela, andava procurando ela. Eu já tinha alertado sobre o risco, mas a gente nunca espera que chegue a esse ponto”, declarou.

Entenda o caso e o contexto da tentativa de feminicídio

A tentativa de feminicídio ocorre quando há violência contra a mulher motivada por questões de gênero, frequentemente em contextos de relações íntimas ou familiares. No Brasil, o feminicídio é considerado crime hediondo, com penas mais rigorosas.

No caso de Ana Clara, uma das linhas investigativas aponta que o ataque pode ter sido motivado por uma discussão anterior entre a vítima e o namorado. Há relatos de que a jovem teria atingido o carro de Ronivaldo com uma pedra, o que teria desencadeado a agressão.

A Polícia Civil do Estado do Ceará segue conduzindo as investigações para esclarecer completamente as circunstâncias do crime.

Enquanto isso, a jovem continua sob cuidados médicos intensivos, com evolução considerada positiva diante da gravidade do caso, e familiares acompanham a recuperação com expectativa e cautela.