
A operação contra drones em presídios do Ceará mobilizou forças de segurança estaduais e federais nesta sexta-feira (22). Batizada de “Pouso Forçado”, a ação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE) tenta desarticular um esquema investigado por utilizar aeronaves remotamente pilotadas para levar celulares, drogas, carregadores, smartwatches e armas a unidades prisionais do estado.
Segundo as investigações, o grupo atuava de forma estruturada e com divisão de funções. A apuração aponta participação de integrantes de uma facção criminosa de origem carioca na articulação das entregas ilegais dentro e fora dos presídios.
A operação teve apoio do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e da Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP). Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão expedidos pelo 7º Núcleo de Custódia e das Garantias de Maracanaú.
De acordo com a investigação, internos nas unidades prisionais eram responsáveis por organizar e solicitar as entregas clandestinas. Do lado de fora, operadores especializados pilotavam os drones carregados com os materiais ilícitos.
A estrutura investigada também incluía pessoas responsáveis pelo suporte financeiro e logístico do grupo, incluindo movimentação de valores e apoio operacional para as entregas. O uso de drones em ações criminosas tem se tornado um desafio crescente para autoridades de segurança pública em diferentes estados. A tecnologia permite transportar pequenos pacotes rapidamente e dificulta abordagens, principalmente em áreas próximas a presídios.
Entre os itens transportados estariam celulares, carregadores, smartwatches, drogas e armas. A entrada desses materiais nas unidades prisionais é considerada estratégica para organizações criminosas porque facilita a comunicação entre integrantes presos e membros que atuam fora do sistema penitenciário.
As medidas judiciais cumpridas nesta sexta-feira têm como objetivo aprofundar as investigações e identificar outros envolvidos no esquema, incluindo pilotos dos drones, articuladores e operadores financeiros. Segundo a FICCO/CE, os investigados podem responder por crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, integração de organização criminosa e facilitação da entrada de aparelhos telefônicos em estabelecimentos penais. As autoridades não divulgaram os locais exatos das ações nem os nomes dos investigados.
O uso de drones para lançar objetos dentro de unidades prisionais passou a preocupar ainda mais os órgãos de segurança nos últimos anos. O equipamento, amplamente utilizado para atividades recreativas e comerciais, também vem sendo explorado por organizações criminosas para burlar sistemas de vigilância.
Além da dificuldade de interceptação, o uso dessas aeronaves reduz a exposição direta dos envolvidos e amplia a capacidade de entrega rápida de materiais ilícitos. Em diferentes estados brasileiros, forças policiais têm reforçado ações de monitoramento aéreo e inteligência para tentar identificar operadores e rotas utilizadas pelos criminosos.
A entrada clandestina de celulares nos presídios é considerada um dos principais desafios do sistema penitenciário brasileiro. Investigações de segurança pública apontam que aparelhos telefônicos permitem a manutenção da comunicação entre líderes presos e integrantes das facções fora das unidades. Em muitos casos, crimes são coordenados a partir de ordens emitidas de dentro dos presídios, o que aumenta a preocupação das autoridades com a circulação ilegal desses equipamentos.