
A extrema pobreza no Ceará caiu 35% entre 2023 e 2025, segundo levantamento divulgado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). O estudo aponta que cerca de 415 mil pessoas deixaram essa condição no período, resultado registrado mesmo após a atualização do parâmetro internacional utilizado para medir pobreza extrema. Os dados fazem parte do Enfoque Econômico nº 319, apresentado durante evento em comemoração aos 90 anos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado na sede do Ipece, em Fortaleza.
O levantamento considera a mudança anunciada pelo Banco Mundial em junho de 2025, que elevou o limite de renda usado para caracterizar extrema pobreza. O parâmetro passou de US$ 2,15 para US$ 3 por dia por pessoa.
Na prática, a atualização torna mais rígido o enquadramento da população nessa faixa de vulnerabilidade social. Ainda assim, o Ceará apresentou redução expressiva no número de pessoas vivendo em situação de extrema pobreza.
Segundo Jimmy Oliveira, analista de Políticas Públicas do Ipece e autor da pesquisa, a mudança metodológica impacta diretamente os resultados do levantamento, mesmo diante do crescimento da renda da população.
O estudo utiliza comparativos anuais entre 2023 e 2025, considerando 2022 como base da análise. Os dados reforçam um movimento de melhora gradual nos indicadores sociais e econômicos do estado, especialmente entre as famílias de menor renda.
Um dos principais destaques do estudo está no crescimento do rendimento familiar per capita entre os cearenses mais pobres. De acordo com o Ipece, os 10% da população com menor renda tiveram crescimento acumulado de 40,6% no período analisado. O percentual ficou acima da variação registrada nas demais faixas de renda, que oscilaram entre 15,2% e 21%.
O comportamento dos dados indica avanço mais acelerado justamente entre as famílias em situação de maior vulnerabilidade econômica.
Esse aumento da renda possui impacto direto em indicadores ligados à insegurança alimentar, acesso a serviços básicos e melhoria das condições de vida. Além disso, especialistas costumam apontar que a elevação da renda nas camadas mais pobres gera reflexos mais rápidos no consumo e na economia local.
Durante a apresentação do levantamento, o governador do Ceará, Elmano de Freitas, destacou outro indicador considerado simbólico para a economia do estado.
Segundo ele, o número de trabalhadores com carteira assinada no Ceará superou, pela primeira vez desde a criação do Bolsa Família, o total de beneficiários do programa social.
O avanço do emprego formal ajuda a explicar parte da melhora observada nos indicadores de renda apresentados pelo Ipece.
A formalização do mercado de trabalho costuma ampliar a estabilidade financeira das famílias, fortalecer a arrecadação e aumentar a circulação de renda na economia.
Em publicação nas redes sociais, Elmano de Freitas atribuiu os resultados a políticas públicas voltadas à geração de emprego, inclusão social e combate à insegurança alimentar. “Esse avanço é fruto de muito trabalho, parceria e compromisso com o povo cearense. Programas como o Ceará Sem Fome, com mais de 1.300 cozinhas ativas, geração de emprego e oportunidades, têm ajudado milhares de famílias a viverem com mais dignidade e esperança”, escreveu o governador.
O programa Ceará Sem Fome tem sido uma das principais iniciativas estaduais voltadas ao combate à vulnerabilidade social, especialmente em regiões com maior insegurança alimentar.
A divulgação ocorreu durante programação comemorativa pelos 90 anos do IBGE, reunindo pesquisadores e representantes de instituições ligadas à produção de indicadores econômicos e sociais. O estudo integra uma série de análises desenvolvidas pelo Ipece para monitorar renda, emprego e desigualdade social no Ceará.
Nos últimos anos, o estado tem ampliado políticas voltadas à geração de renda e fortalecimento da economia regional, especialmente após os impactos econômicos provocados pela pandemia. Os dados divulgados agora ajudam a atualizar o retrato social do Ceará e reforçam a importância do acompanhamento contínuo de indicadores econômicos para formulação de políticas públicas.