
Dados do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), centro climático dos Estados Unidos, apontam que há 37% de chances de ocorrer um El Niño de intensidade "muito forte" já no segundo semestre deste ano. Evento pode elevar a temperatura do Ceará e impactar a próxima quadra chuvosa.
Probabilidade foi apontada nesta segunda-feira, 1º, pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), durante apresentação do prognóstico final do período invernoso. De acordo com a instituição cearense, dados do NOAA indicam que há 60% de chances de que o fenômeno aconteça com intensidade de no minimo "forte" entre os meses de outubro, novembro e dezembro.
Já entre novembro deste ano e fevereiro de 2027 há cerca de 37% de probabilidade de que ele aconteça de forma mais intensa. Cenário é apontado ainda com base em condições oceânicas atuais, que mostram "acúmulo expressivo de conteúdo de calor em camadas subsuperficiais no Pacífico Equatorial".
Francisco Vasconcelos Júnior, diretor técnico da Funceme, explica que o cenário observado é de "alerta" e de preocupação com a próxima quadra chuvosa, período que no Ceará ocorre entre fevereiro e maio. "O que nós estamos observando na evolução do Pacífico Equatorial, principalmente a porção mais leste, [é] que nós já temos água anômala mais quente naquela região [...] Então, é realmente um cenário que traz um alerta forte, que preocupa para a próxima estação [chuvosa]", destaca.
Segundo o especialista, a intensidade e a duração do evento é que vai ditar os efeitos dele no Estado: "Impactos podem ser [...] No curto e médio prazo, um aumento da temperatura. Aumenta a temperatura, aumenta a evaporação e isso acarreta também condições propícias de propagação de incêndios florestais, por exemplo".
De acordo com Vasconcelos, fenômeno tem tudo para ser "severo", mas ele diz não haver necessidade de alarmismo. "Nós temos que nos preparar, lidar com o monitoramento e começar a mitigar já os possíveis impactos desse evento", pontua, citando que o órgão já dialoga com instituições como a Secretaria de Recursos Hidrícos (SRH) e a Defesa Civil, para "dar a melhor resposta possível a esse evento".