
“A cada quatro anos, o mundo afirma que o futebol é imprevisível – e então imediatamente começa a fazer previsões”, diz a introdução da nota sobre a Copa do Mundo 2026 do banco italiano UniCredit, em tom divertido sobre o que a própria instituição chama de a mais imprevisível das copas.
Já não é de hoje que analistas esportivos se arriscam a dizer quais seleções são favoritas ao título, mas com a proximidade do início do torneio, surgem também projeções no âmbito da economia. Isso porque além de uma disputa de futebol, a Copa movimenta quantias enormes ao redor do mundo e impacta os mercados das nações participantes, levando bancos, corretoras de investimentos e economistas a fazer previsões.
Segundo o economista alemão Joachim Klement, “como os investidores se distraem com as partidas de futebol, os mercados tendem a cair durante o torneio, mas se um time vence, o entusiasmo criado por essa vitória torna os investidores mais propensos ao risco e impulsiona os preços para cima no dia seguinte”. Da mesma forma, ele explica, “se um time perde, os investidores ficam mais avessos ao risco (ou simplesmente de ressaca) no dia seguinte e assumem menos riscos, criando assim uma pressão adicional para baixo nos preços.”
Esta Copa será a primeira com 48 times, 104 jogos. Ela também será a maior em dimensões geográficas, com três países-sede e partidas acontecendo em 16 cidades com distâncias enormes entre si. “Mais equipes significam mais partidas, mais azarões, mais disputas pelo terceiro lugar e mais riscos para um time favorito ‘escorregar numa casca de banana’”, aponta o UniCredit.
Mesmo com a dificuldade de fazer previsões, o mundo da economia tentou. A XP, por exemplo, desenvolveu um modelo quantitativo para avaliar as chances de cada seleção vencer a Copa do Mundo 2026. Foram feitas 10 mil simulações do torneio, em combinação com o histórico de partidas dos times.
De acordo com esse método, a França é a favorita a vencer, com 9% de chances. Em seguida vêm a Espanha, com 6,4%, e a Argentina, com 6,1%.
Já o Brasil aparece em quarto lugar nas probabilidades da XP, com 6% de chances. O modelo também prevê 93% de possibilidade de o país chegar às oitavas e 39% de chegar às quartas. Se chegar à final da Copa, o Brasil aparece com 59% de chances de ser campeão, a segunda maior do torneio.
A França também é a projeção da Natixis, uma instituição financeira francesa, para vencer a Copa. O país aparece com 26% de chances e a Espanha vem logo atrás, com 25%.
O modelo desenvolvido pela Natixis para projetar o resultado é inspirado em Dixon-Coles, construído com base em distribuições de probabilidade bivariadas de placar e que executa toda a estrutura do torneio 100.000 vezes por meio de simulação de Monte Carlo, reproduzindo fielmente as regras oficiais da competição da FIFA.
O Bank of America, dos Estados Unidos, não fez um modelo próprio de projeção do campeão, mas compilou algumas indicações. Uma pesquisa interna aponta que a maioria dos entrevistados (40%) acredita que a França será a grande campeã.
O banco criou um prompt para a inteligência artificial da Microsoft, Copilot, estimar o vencedor mais provável. Desta forma, a resposta também apontou para a França, com a Espanha em segundo lugar.
Por fim, o banco consultou o mercado de previsões Polymarket. Em abril, quando foi realizado o relatório, a França também liderava como a seleção com maior apostas de vitória, seguida pela Espanha, que ficou à frente nas projeções dos meses anteriores.