
A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) à França, neste domingo (14), ocorre em um cenário de desafios diplomáticos e comerciais para o Brasil.
Convidado para participar da Cúpula do G7, em Évian-les-Bains, Lula chega ao encontro cercado por expectativas sobre possíveis conversas com líderes internacionais.
Esta será a 10ª participação de Lula na reunião que reúne algumas das principais economias industrializadas do mundo. Integram o grupo Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão. A União Europeia (UE) também participa como membro institucional.
A possibilidade de um novo contato com o presidente norte-americano, Donald Trump, concentra parte das atenções. O interesse ocorre em meio ao agravamento das tensões comerciais entre os dois países, após a sinalização de uma tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras para o mercado americano.
O relatório que embasa a medida foi elaborado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O documento resulta de uma investigação iniciada há um ano e aponta supostas práticas comerciais consideradas desleais por Washington.
Entre os argumentos apresentados pelo USTR está a alegação de que o Pix prejudicaria empresas norte-americanas de pagamentos eletrônicos. O relatório cita operadoras de cartões de crédito e plataformas digitais como exemplos dos setores afetados.
Até agora, não existe confirmação de uma reunião bilateral entre Lula e Trump durante a cúpula. Caso o encontro aconteça, será o primeiro desde a conversa realizada na Casa Branca, em Washington, no início de maio.
Na ocasião, segundo o presidente brasileiro, representantes dos dois governos receberam a missão de apresentar alternativas para solucionar o impasse envolvendo tarifas e a investigação comercial. Até o momento, entretanto, não houve anúncio de avanços concretos.
“Isso [encontro entre Lula e Trump] não está definido. Com os Estados Unidos, os contatos seguem, por enquanto. É o que eu posso dizer, e que estão em andamento de uma forma intensa, desde sempre, e isso continua acontecendo”, afirmou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Outro tema sensível na relação bilateral envolve a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar formalmente as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).
A Cúpula do G7 será realizada entre engtre esta segunda (15) e quarta-feira (17). Além do Brasil, foram convidados líderes de países como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito.
Segundo o Itamaraty, Lula participará de três atividades oficiais durante o encontro. A primeira ocorrerá na terça-feira (16), em uma sessão voltada para parcerias internacionais destinadas ao desenvolvimento.
Nesse debate, o Presidente deverá defender a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD), mecanismo que prevê transferências financeiras de países desenvolvidos para nações mais vulneráveis.
Outra participação ocorrerá na quarta-feira, durante uma sessão dedicada ao crescimento econômico equilibrado. O discurso deverá destacar a necessidade de reformas em instituições multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas (ONU).
A programação da comitiva brasileira será encerrada com um almoço temático voltado à Inteligência Artificial (IA), assunto que ganhou espaço central nas discussões globais sobre inovação, economia e governança digital.