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Lula chega ao G7 sob pressão de tarifas, veto europeu e tensão com Trump

Viagem à França ocorre em meio a disputas comerciais com EUA e União Europeia e expectativa por encontros bilaterais

Rita de Cássia
Por: Rita de Cássia Fonte: Opinião Ce
15/06/2026 às 08h58
Lula chega ao G7 sob pressão de tarifas, veto europeu e tensão com Trump
Foto: Ricardo Stuckert / PR

A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) à França, neste domingo (14), ocorre em um cenário de desafios diplomáticos e comerciais para o Brasil.

Convidado para participar da Cúpula do G7, em Évian-les-Bains, Lula chega ao encontro cercado por expectativas sobre possíveis conversas com líderes internacionais.

Esta será a 10ª participação de Lula na reunião que reúne algumas das principais economias industrializadas do mundo. Integram o grupo Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão. A União Europeia (UE) também participa como membro institucional.

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A possibilidade de um novo contato com o presidente norte-americano, Donald Trump, concentra parte das atenções. O interesse ocorre em meio ao agravamento das tensões comerciais entre os dois países, após a sinalização de uma tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras para o mercado americano.

O relatório que embasa a medida foi elaborado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O documento resulta de uma investigação iniciada há um ano e aponta supostas práticas comerciais consideradas desleais por Washington.

TENSÃO COMERCIAL

Entre os argumentos apresentados pelo USTR está a alegação de que o Pix prejudicaria empresas norte-americanas de pagamentos eletrônicos. O relatório cita operadoras de cartões de crédito e plataformas digitais como exemplos dos setores afetados.

Até agora, não existe confirmação de uma reunião bilateral entre Lula e Trump durante a cúpula. Caso o encontro aconteça, será o primeiro desde a conversa realizada na Casa Branca, em Washington, no início de maio.

Na ocasião, segundo o presidente brasileiro, representantes dos dois governos receberam a missão de apresentar alternativas para solucionar o impasse envolvendo tarifas e a investigação comercial. Até o momento, entretanto, não houve anúncio de avanços concretos.

“Isso [encontro entre Lula e Trump] não está definido. Com os Estados Unidos, os contatos seguem, por enquanto. É o que eu posso dizer, e que estão em andamento de uma forma intensa, desde sempre, e isso continua acontecendo”, afirmou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Outro tema sensível na relação bilateral envolve a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar formalmente as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

PAUTA GLOBAL

A Cúpula do G7 será realizada entre engtre esta segunda (15) e quarta-feira (17). Além do Brasil, foram convidados líderes de países como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito.

Segundo o Itamaraty, Lula participará de três atividades oficiais durante o encontro. A primeira ocorrerá na terça-feira (16), em uma sessão voltada para parcerias internacionais destinadas ao desenvolvimento.

Nesse debate, o Presidente deverá defender a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD), mecanismo que prevê transferências financeiras de países desenvolvidos para nações mais vulneráveis.

Outra participação ocorrerá na quarta-feira, durante uma sessão dedicada ao crescimento econômico equilibrado. O discurso deverá destacar a necessidade de reformas em instituições multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas (ONU).

A programação da comitiva brasileira será encerrada com um almoço temático voltado à Inteligência Artificial (IA), assunto que ganhou espaço central nas discussões globais sobre inovação, economia e governança digital.