
Uma família de Quiterianópolis, no interior do Ceará, encontrou quatro cobras falsas-corais em casa no último sábado (13). No local, moram uma mulher e os dois filhos - sendo uma adolescente e uma criança. A dona da residência, localizada na zona rural do município, gravou um vídeo mostrando os animais.
“A minha filha estava no quarto dela, quando ela chegou falando: ‘mãe, tem uma cobra aqui na sala’. Quando eu cheguei na sala, que eu peguei o martelo, que foi a única coisa que eu encontrei no momento, eu bati na cabeça dela (cobra) e a minha filha, com medo, foi para o quarto”, disse a moradora.
Logo depois, a adolescente encontrou mais uma serpente no quarto. Nervosa, ela foi à cozinha beber água e se deparou com a terceira cobra. Em seguida, a mãe encontrou o quarto animal no mesmo cômodo.
A legislação brasileira afirma que é proibido "matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente". A pena é detenção de 6 meses a 1 ano, e multa.
O vídeo gravado pela família foi analisado pela bióloga Thabata Cavalcante a pedido do g1. Ela confirmou que todas as serpentes que apareceram na casa são "falsas-corais".
“Uma das diferenças entre as cobras corais-verdadeiras e as falsas, aqui no Nordeste, especificamente, as falsas têm a barriga branca”, explicou a bióloga.
“No vídeo a gente consegue ver que já tem uma listrinha branca do começo da barriga, que é grande e diferencia fortemente as falsas das verdadeiras. As falsas têm essa barriga branca. As verdadeiras têm a barriga toda coberta de anéis pretos, vermelhos e brancos”, reforçou Thabata.
A especialista detalhou ainda que as falsas-corais possuem a cabeça mais fina e os olhos maiores. Já a verdadeira tem a cabeça arredondada e os olhos muito pequenos, por viver debaixo da terra.
Apesar de não ser peçonhenta, a falsa-coral pode oferecer risco. “É um animal que pode morder, pode causar uma mordida, transmitir bactérias. Mas não tem risco de envenenamento como a coral-verdadeira”, salientou a bióloga.
Contudo, ela tranquilizou sobre o comportamento do réptil. “Não são animais agressivos, são animais extremamente tranquilos que estão ali, às vezes, porque é um lugar úmido, confortável, perto da mata, e elas não entendem muito bem o que é a casa delas e o que não é”, disse.
O Corpo de Bombeiros orienta que, ao encontrar uma cobra em casa, o morador deve ligar para o número 193. Os militares farão o resgate e devolverão o animal ao ambiente adequado.
“De um modo geral, a orientação é não tocar nos animais quando estes forem encontrados em estabelecimentos ou casas e retirar crianças e animais domésticos das proximidades para evitar acidentes”, comentou o sargento Odair, comandante de salvamento.
A corporação alerta que tentar tocar no animal pode fazer com que ele se sinta ameaçado e ataque.
“Apesar da maioria das cobras não apresentarem riscos, são animais que causam pavor e medo. Por isso, é importante sempre manter contato com os órgãos responsáveis para que façam o procedimento correto, evitando machucar o animal”, orientou o tenente-coronel Luiz Claudio, comandante do 2º Batalhão de Bombeiros Militar.