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Sobral: líder do CV usava laranjas para abrir empresas e lavar dinheiro

Investigação identificou 189 pessoas envolvidas em movimentações financeiras suspeitas; 46 mandados de prisão foram cumpridos até o momento

Redação AVSQ
Por: Redação AVSQ Fonte: O POVO
18/06/2026 às 16h20
Sobral: líder do CV usava laranjas para abrir empresas e lavar dinheiro
Divulgação / Polícia Civil do Ceará

Dentro os presos na operação Torniquete, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 18, estão advogados, uma blogueira, um personal trainer, um engenheiro e uma corretora. Na última atualização divulgada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), 46 mandados de prisão haviam sido cumpridos contra suspeitos de envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho (CV).

A investigação da Polícia Civil do Ceará (PC-CE) foi iniciada há dois anos e identificou que o esquema era liderado por indivíduos escondidos em áreas de difícil acesso no Rio de Janeiro (RJ).

O ponto de partida foi a descoberta de que uma dessas pessoas exercia posição de liderança na facção em Sobral e utilizava documentos falsos para abrir contas bancárias, realizando movimentações financeiras com os demais integrantes da facção.

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Em entrevista ao O POVO, o delegado titular da Delegacia de Combate aos Crimes de Lavagem de Dinheiro (DCLD), Renê Mesquita, detalhou que a organização criminosa recrutava diversas pessoas para “pulverizar o fluxo financeiro”.

Durante as investigações, foram identificadas 189 pessoas envolvidas na rede de lavagem de dinheiro. “Sem a participação delas a organização criminosa não conseguiria fazer girar essas engrenagens financeiras”, pontua.

Segundo o delegado, as transações entre os integrantes não eram feitas de forma direta. O grupo chegava a utilizar de três a quatro camadas de contas bancárias, envolvendo pessoas físicas e jurídicas.

“Inclusive empresas, para fazer chegar esse dinheiro lá no vendedor da droga ou no (vendedor) da arma, por exemplo, para que, depois, a droga, a arma, chegue aqui e vice-versa”, explica.

As pessoas recrutadas pela organização, de acordo com o titular da DCLD, atuavam como interpostas pessoas, também conhecidas como “laranjas”, fornecendo seus nomes para a abertura de contas e aquisição de bens.

“Nós vamos fazendo esses vínculos e responsabilizando individualmente essas pessoas de acordo com as suas respectivas condutas. Pode ser que seja em lavagem de dinheiro, se tiver mais um conhecimento, também vai pegar o dele de organização criminosa, tráfico de drogas, homicídio. Cada um tem uma participação peculiar”, afirma.