
Um personal trainer identificado como Lucas de Farias Melo, de 24 anos, morreu durante uma intervenção policial, em Itapipoca, no Ceará.
O caso aconteceu na localidade de Rajada, na noite desta quinta-feira (18). A Polícia Militar disse que o jovem tentou tirar a arma de um agente durante a abordagem.
Segundo a Corporação, a equipe policial realizava deslocamento pela região quando visualizou uma motocicleta posicionada de forma a obstruir parcialmente a passagem da via. Ao se aproximar para averiguar a situação, a equipe identificou um rapaz ao lado do veículo.
Ainda conforme a PM, os policiais iniciaram os procedimentos de abordagem, determinando que ele se identificasse e obedecesse às ordens de segurança. Conforme o relato da ocorrência, Lucas desobedeceu às determinações policiais e avançou em direção à viatura.
Durante a agressão, ele abriu a porta do veículo policial e tentou tomar a arma de um dos militares. A corporação argumentou que, diante da ameaça iminente e com o objetivo de cessar a agressão e preservar a integridade física da equipe, foram efetuados disparos.
Após a intervenção, os policiais verificaram que o jovem portava uma bolsa contendo uma faca e objetos pessoais. Os policiais realizaram o socorro imediato do indivíduo para uma unidade hospitalar da região. No entanto, ele não resistiu aos ferimentos e teve a morte confirmada.
A PM disse que os próprios agentes tiveram de socorrer o homem em razão da ausência de sinal de telefonia móvel e comunicação por rádio na localidade. A ocorrência foi apresentada à autoridade policial competente para a adoção dos procedimentos cabíveis.
Lucas possuía antecedentes criminais por violência doméstica e estava sendo monitorado por tornozeleira eletrônica.
O advogado Josué Miranda dos Santos, que representa a família de Lucas Melo, disse que familiares relataram que o jovem apresentava quadro de surto psicótico, condição que exige cuidado, acompanhamento médico e apoio do Estado.
Ainda conforme a defesa, no processo judicial por violência doméstica, que o personal respondia, o Juízo da Comarca de Crateús havia sido instaurado Incidente de Insanidade Mental para apuração do estado de saúde do rapaz à época dos fatos.
Diante disso, a Defesa e a família da vítima solicitam das autoridades "rigor, transparência e celeridade na apuração dos fatos".
"É fundamental que a perícia, o laudo cadavérico e todos os elementos técnicos sejam produzidos com imparcialidade, para que a sociedade e a família possam compreender exatamente o que ocorreu naquela noite. Reforçamos que o objetivo deste momento não é antecipar conclusões ou emitir juízo de valor sobre a atuação dos agentes envolvidos", diz um trecho da nota da defesa da vítima.