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Ceará tem mais de 3 mil denúncias de violência contra idosos em 2026

Número cresceu 6% em relação aos seis primeiros meses de 2025; violência física é a mais recorrente contra os idosos do Estado

Rita de Cássia
Por: Rita de Cássia Fonte: O POVO
23/06/2026 às 16h31
Ceará tem mais de 3 mil denúncias de violência contra idosos em 2026
FCO FONTENELE

Antes mesmo de o ano completar os seis primeiros meses, o Ceará soma 3.408 denúncias de violência contra a pessoa idosa, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC).

A estatística apresenta um acréscimo de 6% em relação à primeira metade do ano passado, quando 3.187 denúncias foram registradas.

Em cenário geral, os idosos só não sofrem mais violações de direitos que as crianças e adolescentes no Ceará, que já ultrapassam as quatro mil denúncias este ano.

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Segundo o promotor de justiça do idoso, Alexandre Alcântara, a presença desses dois grupos como os que mais sofrem violência está relacionada com a dependência que o ser humano tem de outras pessoas no início e no final da vida.

Em ambas as épocas, a pessoa não possui autonomia completa e em casos extremos, depende de outrem para realizadas atividades básicas como tomar banho ou se alimentar.

"Nesses dois períodos de vida você tem incapacidades, situação de dependência, perda, no caso das pessoas idosas, de autonomia... nas crianças tem a ausência de autonomia. São características dessas fases da vida que levam a uma maior vulnerabilidade desses dois grupos", pontua o promotor do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).

Nono estado brasileiro com mais casos de violência contra idoso em 2026, o Ceará tem as denúncias concentradas na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Especialistas apontam que esse número é apenas a "ponta do iceberg", já que boa parte dos casos de violência não chega até plataformas de denúncia como o Disque 100, usado pelo MDHC para monitorar os alertas de maus-tratos.

Os motivos para essa subnotificação vão desde a falta de acesso a plataformas ou locais de denúncia, até o desconhecimento de que a situação pela qual ele está passando é uma violência.

"O que nós recebemos de forma constante são pessoas, geralmente mulheres, que tiveram sua casa ocupada por algum filho ou neto e aquela convivência não é saudável. Há situações de tensão, ameaça velada e a pessoa procura uma espécie de tutela, de medida protetiva para si mesma", pontua a defensora pública e membro da 3° Defensoria Pública da Pessoa Idosa de Fortaleza, Michele Camelo.

Os dados coletados pelo MDHC registram diferentes tipos de violência, seja contra a integridade do idoso, saúde ou patrimônio. 

Dentre as mais de 3.408 denúncias feitas no Ceará este ano, 88% apontavam possíveis agressões físicas contra o idoso.