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Operação do MPCE prende 11 advogados suspeitos de repassar ordens de facções criminosas no Ceará

Ofensiva determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 20 milhões em bens e valores ligados aos investigados.

Rita de Cássia
Por: Rita de Cássia Fonte: GC Mais
01/07/2026 às 09h28
Operação do MPCE prende 11 advogados suspeitos de repassar ordens de facções criminosas no Ceará
Foto: Reprodução

A Operação do MPCE prende advogados suspeitos de atuar como intermediários entre chefes de facções criminosas presos e integrantes das organizações em liberdade. Deflagrada nesta terça-feira (30), a ação denominada Mensageiros do Crime resultou na prisão de 11 advogados. Uma investigada continua foragida e possui domicílio na capital paulista. Além das prisões, a ofensiva também atingiu lideranças criminosas e determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 20 milhões em bens e valores ligados aos investigados.

Segundo o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), os profissionais utilizavam atendimentos jurídicos para transmitir ordens entre detentos e integrantes das facções fora do sistema prisional. Para os investigadores, a atuação extrapolava os limites da advocacia e contribuía para a manutenção da estrutura das organizações criminosas.

Ao todo, a Justiça expediu 29 mandados de prisão e 29 mandados de busca e apreensão, cumpridos em Fortaleza, Caucaia, Maracanaú, Aquiraz, Itaitinga, São Gonçalo do Amarante e também no estado de São Paulo.

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Como funcionava a rede investigada pelo MPCE

De acordo com o Ministério Público, a investigação identificou uma estrutura organizada de comunicação entre lideranças criminosas encarceradas e integrantes das facções que permaneciam em liberdade.

A suspeita é de que os advogados investigados atuassem como responsáveis pelo repasse de mensagens e orientações estratégicas, permitindo que chefes presos continuassem exercendo influência sobre as atividades das organizações criminosas mesmo dentro da Unidade Prisional de Segurança Máxima do Estado do Ceará.

Entre os assuntos tratados nas comunicações investigadas estavam:

  1. reorganização das facções;
  2. expansão territorial;
  3. cooptação de novos integrantes;
  4. aquisição de armas;
  5. circulação de drogas;
  6. orientações destinadas a familiares, presos e integrantes em liberdade.

Segundo o MPCE, o conteúdo das mensagens demonstra que a estrutura das facções permanecia ativa e organizada, apesar da prisão de suas principais lideranças.

Investigação começou após monitoramento em presídio de segurança máxima

A apuração teve início após decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, em novembro de 2025, que autorizou a captação de imagens e áudios nos parlatórios da unidade prisional de segurança máxima.

Com base na análise desse material, os investigadores identificaram indícios de que parte dos atendimentos jurídicos estaria sendo utilizada para finalidades criminosas.

As conversas registradas entre 8 de dezembro de 2025 e 15 de janeiro de 2026, segundo o MPCE, apresentaram um padrão recorrente de comunicação entre advogados e detentos, incluindo o uso de linguagem codificada para tratar de assuntos ilícitos.

Para os investigadores, o conjunto das gravações reforçou a hipótese da existência de uma estrutura organizada destinada a manter o fluxo de ordens entre líderes presos e integrantes das facções em liberdade.