
Quinze trabalhadores do setor da construção civil foram resgatados nesta terça-feira (21) em condições precárias no município de Maranguape, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). A denúncia foi feita por uma das vítimas ao Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza (STICCRMF), que realizou o resgate.
De acordo com Nestor Bezerra, presidente do sindicato, os trabalhadores são do estado do Maranhão e mudaram para o Ceará após uma proposta de emprego que garantia salário e casa para morar. No entanto, eles estavam sem receber o pagamento há cerca de 20 dias e viviam sem água encanada, alimentação adequada e em situação "degradante'.
"Quando a gente chegou, nos deparamos com os trabalhadores em uma situação bem degradante mesmo. Era uma casa sem nada, nem água nem fogão. Só as redes deles e as mochilas no chão. Nove desses 15 estavam desesperados porque tinham sido ameaçados [pelo encarregado das obras]. Diziam que iam botar facção para matar eles. Estavam desesperados", relatou Nestor.
Os homens tinham, em média, 30 anos de idade. Eles trabalhavam em um empreendimento em Maranguape. De acordo com o sindicato responsável pelo resgate, a empresa havia contratado um empreiteiro para cuidar dessa obra. Este seria o homem responsável por deixar as vítimas em situação vulnerável.
Após o resgate, o grupo foi levado até uma delegacia da cidade para registrar um boletim de ocorrência (BO). O g1 solicitou mais detalhes à Secretaria da Segurança Pública e aguarda retorno.
"Conversamos com o delegado, que deu todo o suporte para a gente e mandou uma viatura buscar as coisas deles porque estavam com medo de ir na casa". Segundo Nestor, os trabalhadores agora estão em local seguro e aguardam retorno para o Maranhão.
'Só comia quem fosse trabalhar'
Segundo Nestor Bezerra relatou, a residência onde os trabalhadores estavam ficava próximo do local de trabalho. Era uma casa precária, sem água potável, móveis ou alimentação básica. Eles chegavam a passar dias inteiros com fome e dormiam em redes espalhadas pelo local.
Os trabalhadores mantinham contato com a família através de telefones compartilhados entre eles. No entanto, sem acesso à Internet wi-fi e redes móveis, as ligações e mensagens foram ficando mais escassas.
"Quando a empresa traz o trabalhador, é para dar todas as condições: café da manhã, água potável, água para tomar banho. Na casa não existia bebedouro, geladeira, nem água encanada. Eles estavam à mercê da própria sorte."
Segundo o presidente da STICCRMF, as refeições eram fornecidas pelo empreiteiro da obra, mas o homem dizia que "só comeria quem fosse trabalhar". "Passaram a última terça-feira sem comer", exemplificou Nestor.