Os registros de estelionato cresceram 429,8% no Brasil entre 2018, primeiro ano da série histórica do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, e 2025. Com isso, os golpes se consolidaram como o principal crime contra o patrimônio no país.
A edição de 2026 do levantamento, divulgada nesta quinta-feira (23), aponta que foram registrados 2,26 milhões de casos de estelionato ao longo de 2025.
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Apesar do elevado número de ocorrências, apenas 63,7 mil resultaram em processos criminais, que culminaram na prisão de 4,8 mil suspeitos. Na prática, isso significa que mais de 97% dos boletins de ocorrência registrados pelas polícias brasileiras não chegam ao Poder Judiciário.
Medo de golpes digitais
O Anuário também revela que 83,2% dos brasileiros têm receio de serem vítimas de golpes pela internet ou por meio do celular.
Segundo o estudo, muitos desses crimes estão relacionados ao roubo ou furto de aparelhos telefônicos, situação que facilita o acesso de criminosos a aplicativos bancários, contas digitais e informações pessoais das vítimas.
Golpes mais comuns
Entre as fraudes mais recorrentes identificadas pelo levantamento estão:
- Clonagem ou troca de cartão: criminosos obtêm os dados do cartão por meio de sites falsos, maquininhas adulteradas ou vazamentos de informações, ou ainda substituem fisicamente o cartão da vítima por outro semelhante para realizar compras indevidas.
- Golpe do WhatsApp: o criminoso utiliza a foto de uma pessoa conhecida — ou invade a conta da vítima — para solicitar transferências via Pix ou pagamento de boletos sob a alegação de uma emergência.
- Falsa central bancária: golpistas se passam por funcionários de instituições financeiras, informam sobre uma suposta fraude e convencem a vítima a fornecer senhas, realizar transferências ou entregar o cartão bancário.
- Golpe do Pix: o sistema de pagamentos instantâneos é utilizado para receber valores obtidos em fraudes, como falsas vendas, pedidos em nome de conhecidos ou acessos indevidos a contas bancárias.
- Falso SMS sobre CPF: mensagens de texto informam uma suposta irregularidade no CPF e direcionam a vítima para links ou telefones falsos, com o objetivo de roubar dados ou cobrar taxas inexistentes.
- Falso leilão ou loja virtual: sites e anúncios fraudulentos oferecem produtos com preços muito abaixo do mercado. Após o pagamento, geralmente via Pix ou boleto, a mercadoria nunca é entregue.