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Lancha é apreendida na Bahia em investigação contra empresários e servidores da Receita Federal no Ceará

A ação é um desdobramento da Operação Snooker, de setembro de 2025. O grupo é suspeito de importar mercadorias caras, como prata, e declarar como itens simples, como bijuteria.

Rita de Cássia
Por: Rita de Cássia Fonte: G1 Ceará
24/07/2026 às 08h28
Lancha é apreendida na Bahia em investigação contra empresários e servidores da Receita Federal no Ceará
Foto: Reprodução

A Polícia Federal apreendeu uma embarcação de luxo, nesta quinta-feira (23), em Salvador, na Bahia, pertencente a um grupo investigado em Fortaleza por importações irregulares, lavagem de dinheiro e fraudes na fiscalização aduaneira. A apreensão desta quinta-feira é um desdobramento da Operação Snooker, deflagrada em setembro de 2025. Entre os alvos da operação, estavam empresários, um auditor fiscal e um perito credenciado perante a Receita Federal.

Os suspeitos importavam itens caros, como prata, e declaravam como bijuteria, com objetivo de burlar a fiscalização aduaneira e lucrar mais, conforme as investigações.

De acordo com a PF, a lancha apreendida em Salvador, considerada de alto valor, pertencia a integrantes do grupo. Eles tentaram ocultar a embarcação dos agentes como forma de evitar a apreensão do item.

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Na Operação Snooker, foram cumpridos mandados judiciais contra 10 pessoas físicas e 12 empresas, no Ceará, Bahia e em São Paulo.

Denúncia contra servidor público

As investigações tiveram início em 2022, a partir de uma denúncia anônima encaminhada à Ouvidoria do então Ministério da Economia, que relatou possíveis irregularidades praticadas por um auditor fiscal da Receita Federal lotado no Aeroporto Internacional de Fortaleza. Segundo a denúncia, o servidor público favorecia os empresários em troca de pagamentos.

Conforme a PF, o esquema teria funcionado de 2020 a 2025. O grupo agia em dois núcleos: um voltado à importação de produtos de origem chinesa; e o outro, à entrada irregular de mercadorias de prata, que eram classificadas de forma fraudulenta como bijuterias, resultando em redução da carga tributária.

A investigação ainda revelou que os suspeitos manipulavam os documentos periciais - um dos alvos da operação foi um perito credenciado perante a Receita Federal. Esse tipo de profissional é responsável por avaliar o estado das mercadorias importadas e precificá-las. A partir do valor determinado por ele, é calculado o que se deve em tributos.

De acordo com a Polícia Federal, a organização criminosa utilizava empresas de fachada, operadores financeiros e terceiros para movimentar o dinheiro obtido com as fraudes e dissimular a propriedade dos bens comprados com os valores ilícitos.

Além da lancha apreendida, a Justiça Federal já determinou diversas medidas assecuratórias patrimoniais, incluindo bloqueio de R$ 40 milhões de contas bancárias, bloqueio de criptoativos, sequestro de veículos, a apreensão da lancha e restrições sobre bens identificados como resultado das atividades criminosas.