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Funceme indica aumento de temperatura e redução de umidade do ar entre agosto e setembro no Ceará

Cenário dialoga com indicativo informado anteriormente pelo órgão, que apontava maior probabilidade de calor durante esse período

Rita de Cássia
Por: Rita de Cássia Fonte: O Estado Ce
05/08/2026 às 09h08
Funceme indica aumento de temperatura e redução de umidade do ar entre agosto e setembro no Ceará
Foto: Júlia Lopes/O Estado

Pelo menos três eventos de chuva foram verificados em Fortaleza em um intervalo de uma semana, considerando os dias entre 28 de julho e 4 de agosto. O fato chama atenção por se tratar de um evento pluviométrico fora da quadra chuvosa do Estado, que compreendeu o período de fevereiro a maio. No entanto, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) afirma que episódios de precipitação na chamada pós-estação são considerados normais e estão associados a sistemas típicos deste período do ano.

De acordo com o diretor técnico da instituição, Francisco das Chagas, as chuvas observadas desde o fim de julho são resultado, sobretudo, da atuação da brisa marítima e de áreas de instabilidade que se propagam do oceano em direção ao continente, além dos chamados Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOLs), fenômeno frequente no litoral nordestino durante a pós-estação chuvosa. São ondulações de nuvens carregadas e ventos úmidos que se formam na altura da linha do Equador, vindo da costa da África até a costa leste do Nordeste brasileiro.

“É normal termos precipitações durante julho e agosto, especialmente no litoral do Estado. Como nessa época chove pouco, qualquer evento acaba chamando mais atenção da população, mas isso faz parte do comportamento esperado da atmosfera”, explica. Segundo ele, situações semelhantes também foram registradas no ano passado. Os eventos recentes de precipitação se concentraram principalmente no litoral cearense, na região do Maciço de Baturité e no Cariri. Apesar dessas ocorrências, a tendência para agosto, segundo o órgão, é de redução ainda maior das chuvas, em decorrência do período de estiagem, onde as precipitações costumam diminuir.

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Temperaturas acima da média

Além da diminuição das precipitações, a Funceme mantém a perspectiva de temperaturas acima da média para agosto e setembro. O cenário dialoga com indicativo informado anteriormente pelo órgão, que apontava maior probabilidade de calor durante esse período. Segundo Chagas, o aumento das temperaturas ocorre tanto por características naturais da estação quanto pela influência do El Niño, que já está configurado no Oceano Pacífico em intensidade moderada e pode atingir a categoria forte nas próximas semanas.

“O El Niño favorece a redução da nebulosidade e das precipitações. Com mais incidência de radiação solar, as temperaturas aumentam”, afirma. As áreas mais afetadas tendem a ser a região central do Estado, incluindo o Sertão dos Inhamuns, além da Jaguaribana. A expectativa, segundo o diretor, é de aumento de temperatura entre 0,5 °C e 1 °C em relação à média histórica para o período.

Baixa umidade do ar

Classificado como fenômeno climático, o El Niño se resume ao aquecimento anormal das águas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial, podendo se estender desde a costa da América do Sul até o meio do Pacífico Equatorial. Embora o fenômeno ocorra no Oceano Pacífico, seus efeitos começam a ser sentidos no Ceará. Entre os principais impactos esperados pela Funceme estão o aumento das temperaturas e a redução da umidade relativa do ar.

O diretor técnico explica que, a combinação de calor, baixa nebulosidade e ar mais seco exige atenção da população, sobretudo de grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com doenças respiratórias ou outras comorbidades. A Funceme orienta reforçar a hidratação ao longo do dia, utilizar protetor solar, manter a pele hidratada e evitar exposição prolongada ao sol nos horários de maior intensidade.