
O município de Canindé , distante 106,54 km de Fortaleza, vai passar a produzir pellets de biomassa, um biocombustível sólido, voltado para a exportação ao mercado europeu.
O projeto lançado nesta terça-feira, dia 22, tem investimento previsto é de R$ 80 milhões e é realizado pela empresa cearense Norpellets Biomass Energy, comandada pelo empresário Lauro Carvalho, em parceria com a holandesa Royal Houweling.
A ideia é que esse seja o maior empreendimento de produção de energia com biomassa do Brasil, com aproveitamento sustentável do insumo oriundo da Caatinga.
A fábrica vai ser construída às margens da BR-020, facilitando o escoamento para o ramal da Transnordestina em Maranguape. O terreno onde será construída a nova indústria será doado pela União ao município de Canindé.
A previsão é de que no primeiro ano de funcionamento sejam geradas 700 oportunidades produtivas, com remuneração em torno de R$ 3 mil, pela extração da biomassa, e uma injeção mensal de R$ 2,1 milhões na economia local.
No segundo ano, o número de oportunidades produtivas, segundo os investidores, deve subir para 2 mil. Nesse cenário, a injeção mensal prevista na economia canindeense é de R$ 6 milhões.
Estiveram presentes ao evento, entre outras autoridades, o secretário do Desenvolvimento Econômico do Ceará, Fábio Feijó; o deputado estadual, Salmito Filho; o sócio-investidor e CEO da Royal Houweling, Marc Houweling; além do prefeito de Canindé, Jardel Sousa (PSB).
Para o prefeito, além da força do turismo religioso, o município tem potencial para crescer em outras áreas, tais como na energética. “Esse projeto representa a chegada de uma nova perspectiva de desenvolvimento, com investimento, inovação, sustentabilidade e geração de oportunidades para nossa população. Estamos trabalhando para criar as condições necessárias para que esse empreendimento possa se instalar e contribuir cada vez mais com a economia de Canindé”, disse.
Ele acrescenta que Canindé tem a maior quantidade de assentamentos do Brasil, fator que pode contribuir para o projeto. “Com uma área territorial tão extensa, seguindo todas as normas, tanto nacionais como estaduais, e também os selos internacionais de sustentabilidade, a gente consegue ter a Caatinga de forma sustentável, gerando riqueza para o homem e para a mulher do campo. Uma indústria que realmente vem para alavancar esse desenvolvimento”, destacou.
Sem precisar prazos, o prefeito afirmou que a expectativa é que a indústria seja instalada muito em breve. “Assim que a documentação do terreno, que é da União, for transferida para o município, as obras já irão começar: a obra do galpão, a de infraestrutura e a compra de equipamentos”, citou Jardel Sousa.
Por sua vez, o secretário do Desenvolvimento Econômico do Ceará, Fábio Feijó, explicou o processo da extração da biomassa, no qual a madeira necessária para criar os pellets vem da poda de madeira da caatinga, em um processo de manejo sustentável, no qual só 10% de cada terreno é explorado por ano para dar tempo à recuperação da planta.
Ele também exaltou o fato de que a instalação da fábrica em Canindé ter acabado beneficiando também o município de Maranguape, que ganhou um terminal logístico em grande parte para atender a essa demanda de escoamento da biomassa.