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Editorial - A vez da mina de Itataia

Editorial - A vez da mina de Itataia

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
10/02/2014 às 09h07 Atualizada em 21/03/2020 às 14h02
Editorial - A vez da mina de Itataia
Foto: Reprodução
A mina cearense será a única, no mundo, a contar com relatório de análise de segurança, garantindo-lhe condições confiáveis para exploração. O urânio do Ceará encontra-se associado ao fosfato utilizado na produção de fertilizantes. O aproveitamento desses dois recursos naturais será feito de forma separada e em condições eficientes para preservar seu potencial econômico.
Na preparação para o início efetivo das operações, o consórcio explorador de Itataia, em Santa Quitéria, devolveu ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) o relatório de preservação ambiental (EIA/Rima) do projeto com todas as correções solicitadas. A exploração da mina de Itataia representará contribuição excepcional para o desenvolvimento daquela região inóspita do Estado.
Localizada em áreas integrantes dos municípios de Santa Quitéria, Canindé, Itatira e Madalena, a mina, quando em produção, irá contribuir, também, para reduzir parte do déficit da balança comercial do País, na ordem de US$ 2,5 bilhões, pela receita do urânio.
Investimentos estimados em R$ 870 milhões serão realizados pelo consórcio explorador para aproveitamento do urânio associado ao fosfato. A mina terá condições de produzir 1,6 mil toneladas de urânio, por ano, para as usinas nucleares brasileiras Angra II e Angra III, em fase de construção. Na etapa seguinte, produzirá fertilizantes.
Separado o urânio, há previsão de serem alcançadas 810 mil toneladas de fertilizantes granulados; 640 mil toneladas de fosfato bicálcio; 800 mil toneladas de rocha fosfática; 970 mil toneladas de ácido sulfúrico e 240 mil toneladas de ácido fosfórico para uso em ração animal e previsão de lucro anual de R$ 1 bilhão.
O consórcio é formado pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e pela empresa Galvani, especializada na extração de minerais para o fabrico de adubos, fertilizantes e outros produtos químicos. O empreendimento é financiado com recursos das próprias empresas e também do Banco do Nordeste. Estima-se o começo da produção em 2016.
Recentemente, a administração estadual e o INB renovaram memorando de entendimentos pelo qual o governo do Ceará participará da infraestrutura indispensável ao início das atividades de Itataia, começando por uma adutora de 42 quilômetros, ligando o Açude Edson Queiroz à Lagoa do Mato. O suprimento d'água para as atividades da mina será fundamental para suas operações.
Outras ações em conjunta dizem respeito à construção do sistema viário ligando a jazida à rodovia BR-020 e das redes de energia elétrica e de comunicação. Itataia é região inexplorada, de difícil acesso e, por consequência, isolada entre as zonas norte e centro do Ceará. Sem essa infraestrutura o empreendimento não poderá se concretizar.
O interesse pelo empreendimento está levando o INB a negociar com a Secretaria de Educação programa de treinamento e qualificação de recursos humanos para um grupo de 800 postos de emprego, por intermédio da escola estadual profissionalizante de Canindé. A mina oferecerá dois mil empregos. A execução desse projeto será uma redenção econômica para aquela região.

Diário do Nordeste