A colheita ia ser iniciada agora no fim de junho, mas alguns curiosos começaram a bisbilhotar no cemitério e preocupado com a possibilidade de perder o emprego o coveiro resolveu arrancar as plantações de grãos. No local, além das covas e cruzes, restaram apenas algumas melancias. “A judiação seria até maior do que o que fazem aqui com os mortos quando a gente não está vigiando”, desabafou o servidor público. Ele se referia a violação dos túmulos para realização de rituais de magia negra.
No caso das melancias, como estão amadurecendo, com mais alguns dias já estão no ponto de colheita para levar a mesa. O coveiro, o qual teve seu nome preservado para evitar deboches e hostilidades, pretende saborear as melancias com sua família. Para ele, os mortos não vão reclamar, até porque cuida do cemitério com muito carinho e zelo. Tudo está sempre limpinho. Ele havia resolvido cuidar da horta dentro do cemitério porque acreditava que não seria importunado. Pelo jeito foi pior.
A reportagem do Diário Sertão Central procurou manter contato com a Prefeitura de Choró, todavia, até a publicação desta edição o único telefone disponível estava constantemente ocupado.
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