Sem mais o que fazer, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou que a sessão será reaberta hoje, às 10 horas. A confusão começou porque durante discurso da senadora Vanessa Graziotin (PC do B-AM) em defesa do projeto do governo, alguns manifestantes gritaram: "Vai pra Cuba".
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) entendeu que as galerias estavam chamando a colega de "vagabunda". Disse que isso era inadmissível e pediu a Renan que retirasse os manifestantes. O presidente deu a ordem para que os seguranças agissem. Entre os manifestantes estavam alguns partidários do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF) e pessoas que articulam encontros por redes sociais, a exemplo do grupo chamado "Brasil livre".
Repressão
A repressão foi pesada e deixou manifestantes feridos. O professor de História Alexandre Ângelo Seltz, de 27 anos, foi atingido por uma arma de choque. Outro professor foi empurrado e ameaçado por policiais. Uma mulher também sofreu agressões por parte de agentes do Senado.
Os deputados Fernando Francischini (SD-PR), Mendonça Filho (DEM-PE), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Marchezan Júnior (PSDB-RS), Antonio Imbassahy (PSDB-BA), Abelardo Lupion (DEM-PR) e Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) tentaram impedir que os manifestantes fossem retirados pela segurança.
Ao comentar o tumulto, Renan não citou o deputado Izalci, mas afirmou que os manifestantes agiam sob encomenda. "É um caso único no Congresso Nacional. Vinte e seis pessoas assalariadas tumultuando e paralisando o Congresso Nacional", disse o senador.
Divergências
O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), que havia pedido para que as galerias fossem abertas para público, disse que o projeto do governo causará um dano ao Brasil.
"A meu ver o mais grave é o decreto que vincula a liberação de emendas à aprovação desta proposta, como se a presidente tivesse colocado um cifrão na testa de cada parlamentar", afirmou Aécio, sobre o decreto sancionado na última segunda-feira. O texto estabelece a liberação de mais verbas se os parlamentares aprovarem a proposta defendida pela União.
Para o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), a oposição tentou um golpe. "O que aconteceu hoje foi um golpe à democracia. Temos uma maioria constituída e a oposição foi para a galeria obstruir a sessão. Vi diversos parlamentares da galeria comandando um processo para inviabilizar a votação", alegou. O projeto de lei em votação no Senado propõe a mudança no cálculo do superávit primário, economia da União utilizada para pagar dívidas públicas, e desobriga o Governo de cumprir a atual meta fiscal estipulada em R$ 116,1 milhões. O projeto permite que essa quantia seja abatida sem especificar um teto limite, assim o governo não precisará cumprir a meta.
Redação Web