O CBERS-4 será usado para diversas aplicações, incluindo mapas de queimadas e monitoramento do desflorestamento da Amazônia, da expansão agrícola, até estudos na área de desenvolvimento urbano. O Brasil não tinha um satélite próprio de sensoriamento remoto em órbita desde 2010, quando o CBERS-2B foi desativado.
O lançamento do CBERS-4, inicialmente programado para dezembro de 2015, foi antecipado por causa do acidente que destruiu o CBERS-3, no fim de 2013, após falha no foguete chinês. De acordo com o diretor do Inpe, Leonel Perondi, foi preciso grande esforço para cumprir o cronograma de montagem.
Segundo ele, a causa do acidente do foguete chinês foi detectada e as falhas foram estudadas para que o acidente não se repetisse. “A cadeia de processos para o lançamento foi revista e requalificada para que tivéssemos um lançador robusto”. O programa CBERS previa que o satélite fosse montado e tivesse seus componentes integrados no Inpe, em São José dos Campos (SP) Mas, com a mudança no cronograma, os procedimentos tiveram de ser feitos na China.
Segundo Perondi, o CBERS-4 é gêmeo do CBERS-3 e suas peças já estavam na China. Com isso, foi montado no país com a participação de engenheiros e técnicos brasileiros.
Os brasileiros construíram 100% dos componentes de energia do satélite. “Foram projetadas e fabricadas no País duas das quatro câmeras. São equipamentos de alta complexidade e tecnologia”. Perondi diz que o trabalho, feito em São Carlos (SP), resultou na formação de equipe altamente qualificada.
Segundo o diretor, a missão de lançamento do satélite custou cerca de US$ 100 milhões - cada país investiu 50% do total. Ele afirma que, desde 2004, o CBERS-3 e o CBERS-4 renderam a assinatura de ao menos 15 contratos com empresas brasileiras. “Os valores envolvidos passaram de R$ 150 milhões”.
Este é o quinto equipamento de sensoriamento remoto produzido em parceria pelo Brasil e a China. Em sua conta no Twitter, a presidenta Dilma Rousseff disse que o satélite amplia a cooperação Sul-Sul, pois fornecerá imagens aos países da América Latina e da África. “O Cbers-4 é fruto de parceria entre o Brasil e a
China e, entre suas muitas aplicações, está o monitoramento do desmatamento na Amazônia”. O satélite foi lançado pelo foguete chinês Longa Marcha 4B. Quando atingiu o ponto ideal da órbita, um comando liberou a trava do dispositivo que prendia o Cbers-4 ao foguete.
Impulsionado por molas, o satélite afastou-se do lançador e entrou em órbita 12,5 minutos após o lançamento. Segundo a Agência Espacial Brasileira (AEB), o Cbers-4 enviou os primeiros dados orbitais às 2h, quando atingiu 742,5 quilômetros de altitude. O satélite de sensoriamento remoto completa uma órbita em torno da Terra a cada 90 minutos. Equipado com quatro câmeras, dará 14 voltas no planeta por dia.