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Dilma Rousseff vai cortar 10 ministérios e mil cargos de confiança

Dilma Rousseff vai cortar 10 ministérios e mil cargos de confiança

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
25/08/2015 às 06h49 Atualizada em 25/08/2015 às 06h49
Dilma Rousseff vai cortar 10 ministérios e mil cargos de confiança
Foto: Reprodução
Em entrevista, ela declarou que a reforma administrativa anunciada pelo Palácio do Planalto vai cortar, além de dez dos 39 ministérios, 1.000 dos cerca de 22,5 mil cargos de confiança existentes. Os cortes devem ocorrer até setembro.
A presidente reconhece que as mudanças vão trazer alguma dificuldade política, mas afirmou que é necessário fazê-las. Ninguém, porém, será preservado dos cortes, nem mesmo seu partido, o PT. "Vamos passar todos os ministérios a limpo", disse. Dilma fez um forte desagravo a dois de seus principais aliados políticos: o vice-presidente Michel Temer (PMDB), que devolveu parte da articulação política, e ao ex-presidente Lula.
Questionada sobre a frase dada pelo vice de que era preciso "alguém" para reunificar o país, a petista afirmou haver muita "intriga" no ar. "Não acho que o Temer falou com a intenção que atribuíram a ele. Ele é de extrema lealdade comigo", defendeu. "A primeira fase da articulação política (com a aprovação do ajuste fiscal) é um sucesso".
Sobre Lula, disse não achar "correto atitudes de tentar diminuí-lo", de tentar envolvê-lo. "Passam de todos os limites", disse ela, referindo-se à bomba lançada contra o Instituto Lula e ao boneco do presidente levado às manifestações de 16 de agosto com roupa de presidiário. Para a petista, atos de intolerância são inadmissíveis e "fascistas".
Dilma Rousseff afirmou, ainda, que ninguém pode interromper o processo da Operação Lava-Jato, mas defendeu que, quanto mais rápidas e efetivas forem as investigações, melhor.
A presidente também mostrou-se chocada com os rumores espalhados no mercado financeiro de que seu ministro da Fazenda, Joaquim Levy, estaria de saída do cargo pelo fato de ter viajado para os Estados Unidos inicialmente sem compromissos oficiais. "Isso é mentira. Ele foi ver a menina (filha) dele, que vai morar na China", esclareceu.

Campanha de 2014
Em situação difícil no Congresso, com a base aliada se desfazendo e dificultando a aprovação de projetos de interesse do Palácio do Planalto, Dilma resistia ao corte das pastas.
Durante a campanha eleitoral do ano passado, por exemplo, criticou as propostas de redução do número de ministérios de seus adversários, Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Campos (PSB-PE) (que morreu durante a campanha e foi substituído por Marina Silva).
Na época, ela afirmou que quem defendia cortar pastas possuía "uma imensa cegueira tecnocrática". Com resultados cada vez mais negativos na economia e a pressão dos ministros de sua equipe econômica, porém, a presidente cedeu.
Ao lado do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, o ministro Gilberto Kassab (Cidades) afirmou que Dilma "entendeu" que o momento para fazer a reforma administrativa "era esse, quando estamos encerrando as votações do ajuste fiscal".
Foi após a reunião de coordenação política do governo que Barbosa anunciou a reforma administrativa para "melhorar a gestão da máquina pública".
Além do corte na Esplanada, a reestruturação vai reduzir o número de secretarias e de cargos comissionados, que hoje chega a 22,5 mil pessoas, das quais 74% são funcionários públicos.
A redução de custeio dos ministérios, como diminuição das contas de água e luz, gastos com passagens aéreas e o "aperfeiçoamento da gestão do patrimônio da União" também estão entre as metas do governo.
"Até o fim de setembro vamos apresentar uma reforma administrativa. A redução de dez ministérios como referência é a meta", declarou Barbosa. "Vamos avaliar com todos os ministros, com todos os órgãos envolvidos, tanto do ponto de vista de gestão como do ponto de vista político, de eficiência das políticas públicas", completou.

Enxugamento
O ministro garantiu que, apesar do enxugamento da máquina, não haverá prejuízo para programas sociais, principais bandeiras do governo. Segundo Barbosa, ainda não há mapeamento das pastas que serão cortadas, mas, segundo a reportagem apurou, um estudo está em andamento e abarca, inclusive, a fusão de secretarias e ministérios.
Pelo estudo, o governo uniria Trabalho com Previdência Social, integraria a Secretaria da Pesca no Ministério da Agricultura e uniria o Ministério do Desenvolvimento Agrário ao do Desenvolvimento Social. Também acabaria com a Secretaria de Assuntos Estratégicos e com o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) - este último perderia o status, mas continuaria existindo como gabinete.
Outra mudança seria em Direitos Humanos, que incorporaria as secretarias da Mulher e da Igualdade Racial. Essa configuração, porém, é muito criticada pelo PT, o partido da presidente, que acredita que o governo Dilma precisa acenar à esquerda ao invés de dar apenas sinais para o mercado - com as medidas do ajuste fiscal. O corte dessas pastas, ligadas a setores de base petista, poderia criar ainda mais descontentamento entre militantes e dirigentes da legenda.
Hoje, o governo federal fará uma ofensiva, com a presidente Dilma, ministros e a presidente da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, para a entrega de casas populares em quatro cidades paulistas. Serão, no total, 2.555 unidades habitacionais, num investimento de R$ 208 milhões, em Catanduva, Araraquara, Araras e Mauá, que devem atender 10 mil pessoas. Trata-se de mais uma tentativa para recuperar a popularidade do governo petista.

Diário do Nordeste