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Quiteriense é convidado para criar peças do cenário de nova novela da Globo

Quiteriense é convidado para criar peças do cenário de nova novela da Globo

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
25/01/2016 às 20h57 Atualizada em 25/01/2016 às 20h57
Quiteriense é convidado para criar peças do cenário de nova novela da Globo
Foto: Reprodução
Dentre os objetos que confeccionou, destaca-se um altar de oito metros feito especialmente para as gravações que aconteceram em Cachoeira, na Bahia.
O cearense, que mora no Rio de Janeiro desde os seis anos de idade, utilizou em seu trabalho somente peças reaproveitadas encontradas no descarte para reciclagem do Projac, formas de alumínio para elaborar as flores, tubo de PVC, plástico e papelão. "Não tenho preconceito contra nenhum material. O importante é que o material possa receber, ou já traga consigo, carga emocional para transmitir a informação desejada", diz.
Esse não é o primeiro trabalho de Raimundo em parceria com Luiz Fernando Carvalho. Os dois trabalharam juntos pela primeira vez em "Hoje é dia de Maria", mas se conheceram anos antes. "Ele viu meu trabalho na exposição 'Santos Arcanos', em 1994, na extinta livraria Bookmakers, na Gávea (Rio de Janeiro), de propriedade de Edna Palatnik, que fez a ponte entre nós. Luiz Fernando me telefonou falando de um projeto que gostaria que eu participasse. Esse projeto era 'Hoje é dia de Maria', que só aconteceu 10 anos depois, em 2004".
O cearense, que está envolvido com o projeto "Velho Chico" há três meses e seguirá disponível até o fim do folhetim, é só elogios ao diretor da trama. "Sou artista visual e desenvolvo peças especiais para auxiliar a dramaturgia. Só trabalho com o Luiz Fernando Carvalho pois desenvolvemos uma parceria e admiração que me permite criar com toda a liberdade que é necessária para realização de uma obra deste nível".
Outra curiosidade que chama atenção no trabalho do artista é que ele não planeja nenhuma peça. No máximo, faz um esboço. E justifica: "Não planejar não é uma decisão. Aprendi a fazer fazendo, estudando outros artistas, tendo muita curiosidade sobre o mundo. Não me aventuro em nada de olhos fechados. Não planejar não significa não estar preparado. Apenas abro minha mente e coração para o inusitado", explica.

Referências
Com um equipe de que lhe ajuda na confecção das artes, Raimundo faz questão de visitar os locais de gravações e a casa das personagens. É ali que surgem as primeiras referências. "O conceito de uma obra é fundamental para a existência dela. Quanto mais informações tenho sobre os personagens, mais próximo este objeto estará dela. Mas a obra deve existir além da personagem. Meu objetivo em qualquer segmento é fazer arte, e faço".
Ele diz que durante o período dedicado à novela, dá uma desacelerada em projetos paralelos. "O processo que desenvolvo é o mesmo que faço no meu próprio ateliê. Monto um espaço especial para acompanhar a novela e desenvolver as peças específicas". O cearense não produz sob encomenda. Ele é representado pela Sérgio Gonçalves Galeria, no Rio de Janeiro. "Caso alguém tenha interesse, é só procurá-la", avisa.

Diário do Nordeste