Cleto confirmou que houve os pagamentos de propina a Cunha relatados pelos delatores da Carioca Engenharia, Ricardo Pernambuco e Ricardo pernambuco Júnior.
Eles afirmaram que o presidente da Câmara cobrou R$52 milhões em propina em troca da liberação de verbas do fundo de investimentos do FGTS para o projeto Porto Maravilha, do qual a Carioca obteve a concessão em consórcio com as construtoras OAS e Odebrecht.
Cleto foi indicado ao cargo por Cunha e passou a negociar uma delação com a PGR (Procuradoria-Geral da República) após ter sido alvo de busca e apreensão da PF, em dezembro, logo após ter sido exonerado do cargo.
Caso a colaboração seja confirmada, será a sétima acusação que envolve o presidente da Câmara em esquemas de corrupção na Lava Jato.
De acordo com a Folha, Cunha é o principal alvo dos relatos do ex-vice presidente da Caixa, mas também há citação a outros políticos.
O acordo com a PGR está em fase adiantada de negociações, mas só depois que for assinada com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a colaboração será enviada ao Supremo para homologação.
A possível delação de Cleto também deverá incluir informações acerca de contas bancárias no exterior do peemedebista que podem ajudar Janot a traçar o caminho do dinheiro da propina pelas obras do Porto Maravilha.
Investigações
Cunha já é alvo de duas denúncias da Operação Lava Jato, nas quais foi acusado de recebimento de propina.
A primeira denúncia, que se refere a pagamentos por contratos de navios-sonda da Petrobras, foi aberta a ação penal por unanimidade pelo Supremo, tornando-o réu. A segunda diz respeito ao repasse de propina para contas na Suiça relacionadas a CUnha, a esposa e a filha.
O peemedebista ainda é alvo de outros três inquéritos. Um da Carioca Engenharia e outros dois, abertos na semana passada, sob sigilo.
Outro lado
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, já afirmou anteriormente que não recebeu valores da Carioca Engenharia, mas não quis comentar a delação de Fábio Cleto. "Não conhecemos a delação", disse a assessoria.
O advogado de Cleto, Adriano Salles Vanni, também não quis comentar.