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No STF, defesa de Dilma vai alegar desvio de finalidade de Cunha em processo de impeachment

No STF, defesa de Dilma vai alegar desvio de finalidade de Cunha em processo de impeachment

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
05/05/2016 às 11h18 Atualizada em 05/05/2016 às 11h18
No STF, defesa de Dilma vai alegar desvio de finalidade de Cunha em processo de impeachment
Foto: Reprodução
"Já estamos pedindo a anulação do processo, vamos pedir novamente. A decisão do STF é uma prova muito importante no sentido de que ele usava o cargo para finalidades estranhas ao interesse público, como aconteceu no caso do impeachment", argumentou Cardozo.
Segundo o ministro, Cunha usou o impeachment como "desvio de poder" em benefício próprio. "Cunha ameaçou a presidente da República de que ele abriria o processo do impeachment se o PT não desse os votos para salvá-lo no Conselho de Ética. O que o Supremo decide hoje é exatamente a demonstração do seu modus operandi", afirmou.
O desvio de finalidade de Cunha e a consequente anulação do processo já havia sido pedido por Cardozo na peça de defesa da presidente apresentada à comissão do impeachment. Em seu parecer, apresentado na quarta-feira, 4, o relator Antonio Anastasia (PSDB-MG) refutou a tese de que Cunha tenha cometido qualquer desvio de finalidade. Ao chegar à comissão nesta manhã, Anastasia se recusou a falar sobre a questão.

Demora
A decisão do ministro Teori vem à pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) que, há mais de cinco meses, pediu o afastamento de Cunha alegando que ele usou o cargo para interferir nas investigações da Operação Lava Jato, da qual ele é alvo. 
O pedido da Procuradoria foi feito em dezembro, mesmo mês em que Cunha aceitou o pedido de impeachment de Dilma. Governistas questionaram a demora do STF em dar encaminhamento à decisão. Os cinco meses gastos pelo ministro Teori foram os mesmos em que Cunha deu prosseguimento ao processo de impeachment de Dilma, que hoje tramita no Senado. A presidente pode ser afastada já na próxima quarta-feira, 11.
Apesar do intervalo de quase seis meses, Cardozo preferiu não criticar a atuação do STF. "O Judiciário decide no tempo em que acha que deve decidir, o importante é decidir. E, hoje, ficou evidenciado por uma decisão judicial aquilo que já falávamos há muito tempo", disse.

Estadão Conteúdo