O inquérito foi aberto em março de 2015 no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar uma das revelações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Em delação premiada na Operação Lava-Jato, Costa afirmou que Aníbal lhe ofereceu R$ 800 mil para que ajudasse a encerrar uma disputa judicial, estimada em R$ 60 milhões, entre a petroleira e duas empresas de prestação de serviços de praticagem na Baixada Santista.
Quebras de sigilo bancário autorizadas pelo STF concluíram que, após o acordo, R$ 6 milhões saíram dos práticos, passaram por um escritório do Rio de Janeiro, o Ferreira Ornellas Advogados, chegaram a uma conta de um advogado de Brasília, Paulo Roberto Baeta Neves.
Metade do valor, R$ 3 milhões, foi repassada ao engenheiro Luis Carlos Batista Sá, um amigo e sócio de Aníbal.
Das contas de Sá, o dinheiro foi redistribuído a diversas pessoas e empresas. A PF descobriu que R$ 128 mil foram enviados a uma ex-assessora parlamentar de Aníbal e ao pai dela, R$ 10 mil a um irmão do deputado e a uma cunhada, R$ 550 mil a dois empresários que haviam emprestado dinheiro ao deputado, R$ 246 mil a uma pessoa que havia vendido um veículo a Aníbal e outros R$ 50 mil a um advogado que trabalhou para o parlamentar em uma ação cível na comarca de Fortaleza. Outros R$ 200 mil foram direcionados a empresas cujos proprietários, segundo a PF, são familiares do deputado estadual Roberto Mesquita (PSD-CE), amigo de Aníbal.
A PF não incluiu no ato o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), indiciando apenas Aníbal e Batista Sá. Ao abrir o inquérito por ordem do STF, no ano passado, a PF também apurava se Aníbal havia destinado parte dos recursos a Renan.
Outro lado
Aníbal, Sá e Mesquita não foram localizados até a publicação desta reportagem. Nos depoimentos à PF, Aníbal e Sá negaram quaisquer irregularidades. O advogado Paulo Baeta Neves morreu há cerca de um mês. Renan Calheiros já havia dito, em nota, que "jamais mandou, credenciou ou autorizou" o deputado Aníbal "a falar em meu nome".
Folhapress