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Veterinária de Fortaleza é processada por tratar cachorro com calazar

Veterinária de Fortaleza é processada por tratar cachorro com calazar

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
19/07/2016 às 17h18 Atualizada em 19/07/2016 às 17h18
Veterinária de Fortaleza é processada por tratar cachorro com calazar
Foto: Reprodução
A presença do cachorro infectado em casa ou no canil pode oferecer riscos a pessoas mais suscetíveis, como crianças e idosos. Se não há controle adequado da carga parasitária, o vetor da doença — o mosquito-palha — pode picar o cão e infectar os humanos. É com base nestes riscos e em normas do Ministério da Saúde (ver Saiba Mais) que o CRMV-CE busca fiscalizar a atuação dos veterinários. “Temos de cumprir as normas e a legislação. A partir de denúncias, podemos iniciar processo ético para ouvir o profissional”, explica o presidente do conselho, Célio Pires Garcia.
No Brasil, não há medicamentos comercializados para o tratamento da leishmaniose visceral, também conhecida como calazar, nos cães. A prática é de recomendar a eutanásia dos animais doentes, como forma de controle da doença.
Conforme Célio Pires, existe a expectativa de aprovação de um medicamento em breve. “Estamos torcendo para que isto aconteça, pois estes casos nos constrangem. Por um lado, os médicos tratam sabendo que não podem. Por outro, nós somos penalizados se não fiscalizarmos”, explica. Ele ressalta ainda que o tratamento exigiria dedicação e compromisso do profissional e do dono do animal.
Seriedade e cuidados constantes são fundamentais para quem optar pelo tratamento, aponta a veterinária Karinne Paiva. Tela, coleira repelente e administração de medicamentos caros começam a fazer parte da rotina do animal. Com isso, é possível o controle da carga parasitária de acordo com o grau da doença diagnosticada. Alvo do processo ético, Karinne ainda será ouvida na plenária do CRMV-CE. Ela se posiciona a favor do tratamento, já realizado em países da Europa.

Alternativas
Karinne esclarece ainda que a legislação brasileira proíbe o uso de medicamentos usados pelos humanos em tratamento do calazar. “Estou com a consciência bem tranquila de que isso veio para fazer com que as pessoas repensem. A matança não é a solução, temos que dispor de alternativas”, diz.
Ela recorda o juramento feito para buscar salvar os animais, além do vínculo afetivo entre os proprietários e os cães infectados. “Se for para tratar de qualquer jeito, não sou de acordo. Mas há casos em que as pessoas têm o animal como membro da família e assumem a responsabilidade”, argumenta.

O POVO Online