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Delator disse que pagou propina ao PT, mas cheque estava em nome de Michel Temer

Delator disse que pagou propina ao PT, mas cheque estava em nome de Michel Temer

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
10/11/2016 às 18h52 Atualizada em 10/11/2016 às 18h52
Delator disse que pagou propina ao PT, mas cheque estava em nome de Michel Temer
Foto: Reprodução
Na declaração, feita em setembro deste ano, Azevedo disse que a empreiteira doou, em março daquele ano, R$ 1 milhão ao diretório nacional do PT, valor que teria sido pago como parte de um acerto de propina de 1% sobre os contratos da Andrade Gutierrez com o governo federal.
O valor, segundo o delator, teria sido repassado do diretório petista para a campanha no dia 14 de julho. À época, conforme a legislação, os diretórios eram obrigados a identificar o responsável pelas doações feitas à sigla e encaminhados aos candidatos.
Contudo, o cheque e os registros da prestação de contas mostram que o repasse feito para o diretório nacional do PMDB e em nome do atual presidente, cujo nome completo é Michel Miguel Elias Temer Lulia. Ele que teria feito o repasse para a campanha da chapa Dilma-Temer. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.
A divergência levou a defesa de Dilma Rousseff no processo a acusar o delator de prestar falso depoimento à Justiça Eleitoral. Os advogados de Dilma pediram ao Ministério Público que apure o caso.
Ainda em setembro, quando indagado pelo ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin sobre as doações feitas Andrade Gutierrez aos vários candidatos e partidos, Otávio afirmou que não havia distinção no caixa da companhia sobre quais repasses eram feitos aos variados políticos. 
Ele afirmou, entretanto, que “certamente” o milhão foi doado ao PT em março, ainda que achava que o repasse tivesse ocorrido em julho. Azevedo também reforçou que a doação era decorrente do acerto de propinas da empresa com o governo federal.
Segundo o delator, parte dos recursos doados ao PMDB vinham de um acerto de propinas referente às obras da usina de Belo Monte, também citada por outros delatores da Andrade e sob investigação da Lava Jato.
Diante disso, o ministro Herman Benjamin, relator do processo que pode levar à cassação da chapa vitoriosa em 2014, determinou para a próxima quinta-feira (17) uma acareação entre Edinho Silva, tesoureiro da campanha petista, e o executivo. 
Em nota, o PMDB afirmou “que sempre arrecadou recursos seguindo os parâmetros legais em vigência no país. Doações de empresas eram permitidas e perfeitamente de acordo com as normas da Justiça Eleitoral nas eleições citadas. Em todos esses anos, após fiscalização e análise acurada do Tribunal Superior Eleitoral, todas as contas do PMDB foram aprovadas não sendo encontrados nenhum indício de irregularidade”.

Redação Web