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Líderes petistas no Ceará reagem a ameaças de debandada do partido

Líderes petistas no Ceará reagem a ameaças de debandada do partido

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
22/11/2016 às 07h58 Atualizada em 22/11/2016 às 07h58
Líderes petistas no Ceará reagem a ameaças de debandada do partido
Foto: Reprodução
“O PT tem uma maldição: quem sai dele, às vezes, quebra a cara”, discursou o deputado federal José Guimarães aos 16 prefeitos, 18 vices e 133 vereadores eleitos no pleito deste ano. Ele disse que “quem fala mal do PT é, no mínimo, ingrato”, porque a pessoa não reconheceria seu “legado”.
Quem também teceu críticas duras aos possíveis dissidentes foi o senador José Pimentel. Também destacando as melhorias que o PT teria feito no Brasil, ele afirmou que quem pretende deixar a legenda não pode “sujar” este legado com suas críticas. “Aqueles que não querem ficar no partido,não têm obrigação, mas também não têm o direito de atrapalhar a nossa história”, disse.
Durante as entrevistas, no entanto, o tom usado para falar sobre o tema era mais brando. O presidente estadual do PT, Francisco de Assis Dinz, negou que a ameaça de debandada exista. “Até hoje não tivemos uma única apresentação (de saída), o que tem é página de jornal, é firula”.
Segundo De Assis, o único que falou sobre isso foi o ex-secretário Artur Bruno, que não teria, porém, notificado o partido. “Me estranham os argumentos de que vai sair do PT por uma crise ética. Ora, quem é Arthur Bruno para falar de uma crise ética? É um debate que a gente precisa fazer e que ele precisa vir ao PT pra fazer”, criticou.
Outro nome que figurava entre os possíveis dissidentes, o deputado federal José Airton demonstrou insatisfação com o partido, mas disse que: “Sair, hoje, não”. Diferentes dos correligionários, as críticas dele foram direcionadas à sigla. “O PT não pode continuar como está, não dá para ums burocracia continuar mandando e desmandando dentro do PT”.
Segundo ele, se o congresso da sigla não fizer um “debate profundo” sobre algumas práticas, há a possibilidade de retirada. “Vou ver se o PT muda ou não essa forma de fazer política que nós estamos vendo hoje”, explicou.

Autocrítica
Com dez prefeitos a menos eleitos no Estado, Guimarães nega que o PT foi derrotado no pleito deste ano. “Todos os partidos perderam eleições importantes aqui no Ceará”, disse. De Assis também negou derrota, afirmando que partido encontra-se numa “quadra extremamente favorável”. 
Guimarães, porém, assim como o prefeito eleito de Quixadá e membro do diretório estadual Ilário Marques admite que este é o momento do partido fazer uma autocrítica e mudar seu programa e suas lideranças para se renovar.
Já De Assis, embora fale de autocrítica, defende que o PT “não está apanhando pelos erros, mas pelos acertos”. “Quais são nossos erros? Caixa dois? O caixa dois nesse País é a regra”.
A reportagem não conseguiu falar com Artur Bruno.

O POVO Online