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Aluno recebe diploma do ITA de salto e vestido em ato contra homofobia

Aluno recebe diploma do ITA de salto e vestido em ato contra homofobia

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
20/12/2016 às 19h19 Atualizada em 20/12/2016 às 19h19
Aluno recebe diploma do ITA de salto e vestido em ato contra homofobia
Foto: Reprodução
A cerimônia de colação de grau dos formandos do ITA foi no último sábado, dia 17. Talles Oliveira Faria, 24, que se formou em engenharia, recebeu o diploma com um vestido rosa, salto alto e maquiagem. A roupa ainda trazia mensagens críticas ao ITA.
"A manifestação não foi só relacionada à homofobia, mas também à violência psicológica que ocorre aqui dentro", disse Faria, que é homossexual e ativista contra a homofobia.
A decisão de comparecer vestido de mulher à colação foi motivada por uma série de punições que recebeu após outro protesto, em maio do ano passado, quando ele se vestiu de drag queen para marcar o Dia Mundial do Combate à Homofobia (17 de maio). Além de estudar no instituto, Faria seguia também como militar.
A manifestação ocorreu na hora do intervalo e reuniu outros colegas, com cartazes contra o preconceito. Além de ser punido por agredir "o decoro da classe, protagonizando cenas vulgares" por conta do episódio, Faria recebeu mais seis punições na sequência, algumas relacionadas a postagens em sua conta pessoal do Facebook.
Ele foi punido por "agredir símbolos religiosos", por ter colocado na rede social críticas ao catolicismo na relação com a homossexualidade, e por ter publicado imagem "agressiva à bandeira do Brasil" -também na rede social.
A publicação trazia uma bandeira do Brasil com corações no lugar das estrelas e a frase "põe a cara no sol, mona", no lugar do lema "ordem e progresso". Outra punição ocorreu por causa de ato em apoio à ex-presidente Dilma Rousseff (PT), no ano passado, no intervalo das aulas.
Nos recursos encaminhado aos oficiais superiores, Faria anexou imagens de manifestações de outros estudantes, em apoio ao então candidato à presidência Aécio Neves (PSDB), e publicações de caráter político nas redes sociais feitas por integrantes da Aeronáutica. Segundo Faria, só ele foi punido.
Faria afirma que sua orientação sexual e sua militância provocou uma "perseguição" sistemática, efetivada por meio das punições -os chamados FATD (Formulários de Apuração de Transgressão Disciplinar). Pela quantidade de punições, o estudante teve que se desligar da carreira militar, pela qual recebia o salário de R$ 6 mil, para não ser expulso também da faculdade.
"Tive que deixar de ser militar porque só me deram essa alternativa. Ou pedia o desligamento da Aeronáutica, ou iam me expulsar do ITA e da FAB [Força Aérea Brasileira]", diz.
O estudante afirma que chegou a pensar em entrar na Justiça contra a FAB sobre o episódio. O receio de ser desligado do ITA fez com que ele prosseguisse com as aulas até a formatura. "Sei da homofobia silenciosa, mas efetiva, no ITA e nas Forças Armadas", diz ele, que não descarta uma ação judicial por conta do episódio. "Espero que as pessoas possam me ver e se sentir mais seguras nesse ambiente".
A reportagem questionou a FAB e o ITA, mas até a publicação deste texto não havia resposta.
O ITA é uma das instituições de ensino superior mais renomadas e concorridas do país. Está ligada ao Comaer (Comando da Aeronáutica). A unidade fica no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, na cidade paulista de São José dos Campos.

Com informações da Folhapress