O sonho que começou no início da década de 1970 tornou-se um triste pesadelo para milhares de famílias de pequenos produtores rurais que adquiriram casas e lotes agrícolas. Dedicaram uma vida inteira para terminar olhando para uma terra seca, improdutiva, ociosa, vivendo sob a dependência de aposentadorias rurais ou de programas de assistência social de transferência de renda do governo federal.
O termo 'perímetros irrigados' tornou-se inapropriado, pois justamente o que não há é irrigação. A maioria dos canais, onde deveria escorrer água, está quebrada, rachada pela ação do tempo. Eles estão secos. Os lotes que deveriam produzir estão ociosos. A terra tornou-se árida, culturas morreram por falta de água ou ataques de pragas. A produção caiu drasticamente. A renda familiar despencou.
Essa é a triste realidade de oito perímetros do Dnocs no Estado do Ceará, que refletem o quadro dos demais. Podemos notar ainda, produtores que insistem em trabalhar ou esperar por um tempo de bonança, que parece nunca chegar. Os desafios enfrentados, a resistência de alguns. Histórias de pessoas simples, dedicadas à agricultura, que não perdem a esperança, mesmo diante das mais intensas adversidades.
Diário do Nordeste