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Brasil fica estagnado no IDH da ONU pela primeira vez na série histórica

Brasil fica estagnado no IDH da ONU pela primeira vez na série histórica

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
21/03/2017 às 21h10 Atualizada em 21/03/2017 às 21h10
Brasil fica estagnado no IDH da ONU pela primeira vez na série histórica
Foto: Reprodução
"São poucos os países que ficam estagnados ou caem no desempenho do IDH. A tendência é de todos avançarem de um ano para o outro" afirmou a coordenadora do Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional, Andréa Bolzon. Neste ano, por exemplo, mais de uma centena de países apresentou melhora nos indicadores.  A queda de IDH foi registrada sobretudo em países que enfrentaram condições adversas. Foi o caso, por exemplo, da Síria.
Para Andréa, o desempenho brasileiro é reflexo da crise econômica que o País já enfrentava em 2015, ano da coleta dos dados do relatório. A pesquisadora observa, por exemplo, que entre 2014 e 2015 a pobreza no Brasil aumentou, rompendo um ciclo de queda identificado desde a década anterior. Dados indicam que, em 2015, 3,63% da população vivia em situação de extrema pobreza, com uma renda mensal per capita de até R$ 70. Naquele mesmo ano, 96% da população era classificada como vulnerável à pobreza, com rendimento de até R$ 140 por mês.
O desemprego, por sua vez, cresceu de forma expressiva neste mesmo período, afetando principalmente os mais jovens. A taxa de desemprego entre os que possuem de 15 a 24 anos de idade em 2015 era de 23,1%, bem acima dos 17% identificados em 2014. Em seguida, estavam as mulheres, cujo nível de desemprego cresceu de 8,9% para 11,8% no biênio 2014-2015, de acordo com dados da PNAD.

Histórico e parâmetros
Desenvolvido há 26 anos, o IDH tem uma escala de 0 a 1; quanto mais próxima de um, melhor a situação do país. As notas são dadas a partir da avaliação de três quesitos: saúde, educação e rendimento.
Entre 1990 e 2015, a média de crescimento do IDH brasileiro foi de 0,85% ao ano. A análise dos dados mostra que o que levou o País a quebrar essa trajetória foi o padrão de vida. A renda nacional per capita foi de 14.145 P.P.P. (paridade de poder de compra, uma medida internacional usada para permitir comparação entre diferentes moedas). Em 2014, a renda havia sido 14.858. O relatório mostra que, em 2015, a renda per capita na Turquia, por exemplo era de 18.705. Já o México era de 16.383 e o Chile, de 21.665.
Nos outros quesitos do IDH, o País apresentou uma discreta melhora. A expectativa de vida (usada para medir o desenvolvimento na área de saúde) foi de 74,7 anos, mais do que os 74,5 indicados em 2014. Na área de conhecimento, o Brasil obteve um pequeno avanço na média de anos de estudo. Passou de 7 7 em 2014 para 7,8 em 2015. Por outro lado, chama a atenção a estagnação de outra variante usada para avaliar o conhecimento, a expectativa de anos de estudo. Desde 2013, esse indicador não ultrapassa a marca dos 15,2 anos.
O IDH brasileiro está um pouco acima da média regional da América Latina e Caribe, que foi de 0,751 em 2015. Na comparação entre Brics, apenas a Rússia traz um IDH superior ao do Brasil: 0,804. China, África do Sul e Índia aparecem no ranking em posições abaixo do País, com indicadores 0,738; 0,666 e 0,624, respectivamente.

Estadão Conteúdo