Segundo o procurador, os irmãos Batista impuseram como condição para delatar a imunidade total, ou seja, e a garantia de que não iriam responder a nenhum dos crimes denunciados. "Essas pessoas chegaram para mim e disseram assim: ‘Nós aceitamos negociar tudo, mas a 'não denúncia' a gente não aceita negociar’. Eu me vi na seguinte escolha de Sofia", disse o procurador, em referência à personagem do clássico da literatura forçada a fazer uma decisão difícil.
"Eu tinha tomado conhecimento que altíssimas autoridades da república estavam praticado crimes, os crimes estavam em curso e crimes graves. Se eu não aceitasse esse acordo, não teria como apurar estes crimes. Eu teria que fingir que nada tinha ouvido, que nada tinha acontecido, e essas pessoas continuariam a cometer crimes".
Janot também descreveu o que sentiu ao ouvir a gravação: "Fiquei chocado e senti náusea. Foi minha reação física: um choque, e fiquei enjoado mesmo". Janot também garantiu que os irmãos Joesley e Wesley Batista são réus colaboradores e, como tal, precisam cumprir o que foi prometido. “O acordo cobre aqueles fatos relatados por eles e não cobre nenhum eventual fato ilícito praticado depois, ou omitido naquele acordo. E mais, tudo aquilo que eles se comprometeram a nos encaminhar, os endereços de prova, o acesso às provas, eles têm que cumprir."
Segundo Janot, a validade do acordo firmado pelos irmãos com o MP é provisória e precisa ser corroborada com provas. A eficácia do acordo será ratificada pelo STF ao final do processo. "Ao final, o Supremo avaliará a eficácia dessa colaboração para que ela então tenha validade definitiva. Até agora ela tem uma validade provisória".
G1