O tucano falou que as estruturas partidárias ficaram envelhecidas e que esse cenário se repete em outros países. "Nós temos que nos reconectar com a vida. É preciso enfrentar os temas tais como eles são."Reiterando declarações feitas nesta semana em entrevista à Folha, FHC disse que "as pessoas querem coisas simples e diretas". Desejam, segundo ele, "decência, emprego, educação, saúde, transporte e segurança".
Na visão do ex-presidente, Alckmin é alguém com esse perfil e pode sair vitorioso por ter capacidade de "formar maioria"."Nós chegamos a um ponto tal no Brasil que a desordem está insuportável. E a desordem afeta o povo, as pessoas mais simples. O povo enfrenta o crime organizado, a corrupção que tomou conta de boa parte da política brasileira", exemplificou.
"Eu sei que há classes sociais, há ricos, há pobres. Mas a segurança, a saúde, a educação afetam a todos. O povo quer melhorar completamente a sua vida. E nós temos que ter palavras diretas para falar ao povo o que nós acreditamos."
LULA E ERROS
O ex-presidente disse ainda que prefere ver Lula -de quem ganhou em 1994 e 1998- na disputa eleitoral a vê-lo preso. O petista foi condenado pelo juiz Sergio Moro no caso do tríplex de Guarujá (SP) e pode ter a candidatura em 2018 inviabilizada se a segunda instância confirmar a decisão. "Olha aqui, eu ganhei do Lula duas vezes e temos energia para combatê-lo cara a cara. Eu prefiro combatê-lo na urna do que vê-lo na cadeia", disse FHC.
Falando especificamente do PSDB, o fundador da sigla afirmou que os tucanos fizeram e ajudaram a mudar "várias coisas" no país. "O Brasil melhorou, não só por nossa causa. Por causa do povo brasileiro. Mas nós precisamos caminhar mais. E para isso precisamos ter rumo e estratégia."
"Nós precisamos de humildade e entender que nós erramos. E temos que corrigir o que nós erramos. Precisamos ter a escuta maior do povo. Não dá para fazer programas abstratos. Tem que ser alguma coisa que reflita o sentimento das pessoas."
FCH falou que o partido deve apoiar a reforma da Previdência e que não se pode "fechar os olhos" para a situação "insustentável" das aposentadorias, nas palavras dele. O ex-presidente defendeu ainda o respeito ao que chamou de "valores" dos tucanos. "Se for para ganhar a eleição perdendo os valores, melhor perder a eleição do que dar as costas aos valores." sábado (9) em convenção do partido em Brasília. Ele ocupará o cargo pelos próximos dois anos.
FolhaPress