Os municípios brasileiros deixaram de receber neste ano R$ 3,5 bilhões do FPM. Desse total, o Ceará perdeu R$ 174 milhões, acrescentou André Carvalho, também consultor econômico-financeiro da Aprece. Os mais afetados são os de menor porte, onde não existem indústrias e um setor terciário (comércio e serviços) forte para assegurar recursos para o custeio das despesas com os servidores e a realização dos serviços básicos. A salvação está nas obras estruturantes, de maior porte, que, quando necessárias e atendidas, são realizadas com recursos estaduais ou federais, às vezes por meio de parcerias entre as duas esferas governamentais.
Mais afetados
Na lista dos municípios mais afetados pela redução dos repasses do FPM estão Poranga, Alcântaras, Mulungu, Aiuaba, Granjeiro, Palmácia, Senador Sá, Cariús, Potiretama e Catarina. As prefeituras sofrem, inclusive, com a atualização anual dos coeficientes do FPM. Um exemplo é Miraíma, no Norte do Estado. Na estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constam 13.583 habitantes. São dois moradores a menos necessários para pular do índice 0.8 para 1.0. Representa 25% a menos no FPM, cuja previsão para o repasse de dezembro é de R$ 800 mil. O Município deixará de receber exatos R$ 200 mil, explicou André.
Neste ano, conforme o IBGE, além de Miraíma, outros 22 municípios do Ceará tiveram redução populacional. Apenas Irauçuba, também no Norte do Estado, teve acréscimo de coeficiente, de 1,2 para 1,4, representando o acréscimo de R$ 2,4 milhões no repasse anual do FPM. As cotas de repasse são divididas em 18 índices, de 0.6 a 4.0, equivalentes às faixas populacionais de cada município.
Diário do Nordeste