"Fiquei muito alegre, dando pulo de alegria... a casa era muito linda", conta uma moradora, ao receber a casa do programa do Governo Federal. "Eles [membros de organização criminosa] falaram assim: ou a senhora aceita ele [o filho de 18 anos] se batizar na nossa facção ou então vamos dar três dias; se a senhora não aceitar, pra vocês pegar o beco daqui."
O filho não entrou para o grupo e a família, expulsa da casa com violência, teve que viver na rua. "Quando eu olhei para o lado, já tava com a pistola na cabeça do meu filho de seis anos e um 38 na cabeça do meu de 11", conta.
Desde dezembro, a Defensoria Pública do Ceará atendeu pelo menos 100 famílias expulsas dessa forma. "No momento em que elas são expulsas das suas residências e se tornam refugiados urbanos, têm uma série de direitos que também lhes são negados., como o acesso à saúde e à educação", explica Mariana Lobo, Defensora Pública Geral do Ceará.
Perda de direitos
Além de perderem as casas e ficarem impedidas de se cadastrar em outros programas habitacionais, as famílias expulsas muitas vezes acabam tirando as crianças da escola, para não correr o risco de voltar à região.
A Secretaria da Segurança Pública implantou bases fixas da Polícia Militar nos conjuntos habitacionais ocupados por facções criminosas. Em 2018, a PM prendeu 21 suspeitos de expulsar moradores, mas o secretário reconhece que a situação não é só um caso de polícia.
"É necessário que o Estado, o poder público – Governo do Estado e Prefeitura – que eles intervenham também nesses locais levando, por exemplo, trabalhos de ação social. Trabalhos que vão unir essas pessoas, que vão criar liga entre essas pessoas", admite.
G1 CE