Há duas semanas, o Diário do Nordeste publicou reportagem mostrando que, apesar da aliança de Camilo e Cid com Eunício, PT e PDT liberaram seus filiados no segundo voto ao Senado. Candidatos do PSOL e até do PROS receberam apoio de membros da base governista. A orientação dividiu lideranças das duas legendas e gerou turbulência no núcleo governista.
O ex-governador Ciro Gomes, uma das principais lideranças do PDT no Estado, abriu a divergência em relação ao acordo. No último domingo (7), em Fortaleza, ele afirmou, inclusive, que tinha votado no PSOL para a segunda vaga ao Senado. Ciro é um dos mais críticos ao MDB e chegou a chamar Eunício de corrupto durante a campanha presidencial.
Deputado estadual reeleito, Leonardo Araújo (MDB) concorda que as divergências dentro do grupo governista influenciaram na derrota de Eunício. Segundo ele, aliados do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), "trabalharam contra o senador".
Avaliação
Já o deputado estadual Walter Cavalcante (MDB) preferiu não opinar sobre a aliança, mas cobrou uma "avaliação" interna do partido. "A gente tem que fazer uma análise profunda para corrigir o que está errado, mas tem que ter uma reflexão. Tem que ter mudança, chamar mais gente para o partido", sugeriu.
O parlamentar, no entanto, ressalta que o MDB sai dessas eleições como a segunda maior bancada na Assembleia Legislativa. Para ele, todo resultado eleitoral deve ser respeitado. "O senador Eunício trouxe recursos para o Estado, mas é aquela história: o povo é sábio. É uma mudança radical no Brasil todo, no Senado, as bancadas diminuíram", observou. Nacionalmente, o MDB foi o mais atingido pela revolta das urnas.
Aliados mais próximos evitaram se expor, mas nos bastidores o que se comenta é que Eunício cometeu um erro "estratégico" ao privilegiar aliados próximos.
Diário do Nordeste