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Após estupro e rebelião, agentes penitenciários reivindicam melhores condições de trabalho

Após estupro e rebelião, agentes penitenciários reivindicam melhores condições de trabalho

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
16/10/2018 às 15h21 Atualizada em 16/10/2018 às 15h21
Após estupro e rebelião, agentes penitenciários reivindicam melhores condições de trabalho
Foto: Reprodução
Enquanto o presidente do Sindicato dos Agentes e Servidores Públicos do Sistema Penitenciário (Sindasp-CE), Valdemiro Barbosa, falava à imprensa, na manhã desta terça-feira, 16, manifestantes bloqueavam a BR-116 contra as medidas tomadas pela Secretarias da Justiça e Cidadania (Sejus) após a denúncia de abuso sexual.
Para o representante da categoria, o caso registrado no último fim de semana foi uma tragédia anunciada. “Já estávamos alertando: presídio não é local de criança. O parlatório é o lugar ideal para isso, mas tem a questão dos direitos humanos. Deixaram para fechar a porta depois que aconteceu”, criticou. 
Segundo Barbosa, a situação é agravada pelo número insuficiente de agentes. No Centro de Execução Penal e Integração Social Vasco Damasceno Weyne (Cepis), antiga CPPL V, onde aconteceram o estupro e a rebelião nas últimas horas, são 15 agentes para manter sob custódia cerca de 2,5 mil presos, de acordo com informações do Sindasp-CE. 
No dias de visita, aproximadamente 1,2 mil pessoas entram no prédio. “São quase quatro mil pessoas em uma unidade onde temos pontos cegos, que não podemos fazer o monitoramento por conta da falta de manutenção. É um ambiente propício”, disse. 
Após o crime do sábado, a Sejus suspendeu a entrada de crianças para visitar detentos que respondem por crimes sexuais na Cepis. Conforme a pasta, a visita de filhos e netos de internos sempre transcorreu normalmente. As crianças eram acompanhados por responsáveis legais e precisavam estar previamente inscritas no Núcleo de Cadastro de Visitantes. 
Em resposta, internos quebraram grades e tentaram invadir a ala dos presos isolados (onde estaria o suspeito do estupro) na Cepis. As informações foram repassadas pelo presidente do Sindasp-CE. Ele disse ainda haver registro de tumulto na Unidade Prisional Professor José Sobreira de Amorim, só controlado na manhã desta terça. 

O POVO Online