Raimundo Arcanjo tem porte de arma de fogo por ser policial federal aposentado. Ele esteve foragido por seis dias após o homicídio do ex- funcionário da prefeitura Augusto César do Nascimento, mas se entregou no dia 4 de setembro. Apesar de evitar a prisão em flagrante, o prefeito tinha mandado de prisão em aberto e chegou ficar detido. Agora, ele responde em liberdade e, como não há condenação, a lei não o impede de exercer o mandato.
Em entrevista à nossa reportagem, por telefone, Raimundo Arcanjo disse que resolveu antecipar a volta - a licença concedida pela Câmara de Vereadores da cidade termina no sábado (10) - para cuidar das contas da Prefeitura. "A licença vence no próximo sábado e é por isso que estou voltando agora, para consultar as contas. Aquela burocracia toda", explicou.
Perguntado sobre o crime do qual é investigado, ele se recusou a comentar. "Eu estou voltando para cumprir o meu mandato. Esse assunto eu me recuso a falar. Falo somente ao Juiz. Está entregue à Justiça. Estou à disposição da Justiça. Esse assunto eu trato somente com as autoridades e o Ministério Público", afirmou.
Relembre o crime
No dia 29 de agosto, no bairro Retiro, Marcelo Arcanjo teria entrado na casa de Augusto César do Nascimento, conhecido como 'César da Regina', por volta das 18h30, e disparado várias vezes contra o homem, na cabeça. Após a execução, o prefeito fugiu.
Augusto trabalhou como motorista da Secretaria Municipal de Ação Social do município e, conforme a Polícia, foi exonerado do cargo no começo deste ano.
Na época do assassinato, o delegado chegou a dizer que o crime teve relação política. Em depoimento, o prefeito afirmou que o ex-servidor espalhava informações falsas sobre ele desde que havia sido exonerado do cargo que ocupava na gestão.
"Tem relação com a política. A vítima se sentia desprestigiada pelo tratamento que o gestor deu a ele. Achava que tinha sido injustiçado porque foi demitido. E por essa razão criticava a gestão. Além da crítica, havia o comentário da vítima de que a primeira dama teria recebido R$ 10 mil em propina. Isso enfureceu o autor e ele foi até a casa da vítima para tomar satisfações da crítica", detalhou à época o delegado Marcos Aurélio.
Diário do Nordeste