De acordo com Theophilo, a intenção de trazer o programa para o Município cearense não avançou “por falta de apoio do governador do Estado”. Questionado sobre qual seria a parte que caberia ao Governo Estadual, o secretário destacou que o plano só terá efetividade com um trabalho nas três esferas - municipal, estadual e nacional.
“Se o Estado, que é o meio de campo, não funcionar, não tenho como fazer o projeto aqui. Eu mudei para Pernambuco, porque o governador se abriu. Piauí já pediu, vários estados têm interesse. Mas no Ceará, a gente não teve a receptividade que tivemos no restante do País”, alegou o General.
O Plano Nacional de Enfrentamento aos Crimes Violentos é um projeto piloto que escolheu cinco municípios em todo o Brasil para implantar políticas públicas de segurança pública. No Nordeste, Maracanaú foi a primeira opção. A proposta será apresentada, oficialmente, na próxima quinta-feira (4), ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL).
No lugar de Maracanaú, o Município escolhido na região Nordeste foi Paulista, em Pernambuco. As atividades concretas do Plano terão início no mês de junho.
“Não é um projeto só do Ministério da Justiça e Segurança Pública, é um projeto interministerial, que vai unir sete ministérios trabalhando um investimento de R$ 200 milhões no início. Tem data para começar, mas não tem data para terminar, porque precisa ser efetivo”, destacou Theophilo.
Apesar de Maracanaú ter ficado de fora do projeto piloto, o secretário afirmou, durante palestra, que haverá um projeto específico para o Estado. No entanto, não disse que projeto seria esse. “Se o meio de campo não vai fornecer a bola para a gente fazer o gol, não tem como funcionar. Mas eu vou olhar pelo Ceará, e vamos ter um projeto específico. Mas a nível nacional, não posso”.
O Diário do Nordeste entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) para ouvir o Governo do Estado sobre as declarações do secretário nacional de Segurança Pública. A Pasta não se pronunciou até a publicação desta matéria, mas o texto será atualizado quando a gestão estadual se manifestar sobre o assunto.
Sobre a Segurança do Ceará, o secretário nacional ressaltou que, durante os dois meses em que a Força Nacional esteve no Estado, os índices de violência declinaram em até 50%. No entanto, ele reclamou que não houve reconhecimento sobre o trabalho do Governo Federal.
“As benesses são colocadas no Estado. Enviei 500 homens da Força Nacional, 100 viaturas, helicóptero. Transferi os líderes criminosos, gastei mais de R$ 5 milhões com munição e armamento para policiais do Estado e isso não foi falado. Tudo isso foi feito sem revanchismo”.
Ainda segundo Theophilo, diferentemente do que políticos locais disseram ao longo de 2018, pelo menos R$ 1,8 milhão foram repassados do Governo Temer para a Segurança Pública estadual, sendo que somente R$ 68 mil teriam sido aplicados pelo Governo do Estado.
Diário do Nordeste